De Volta à Bahia

(2026) ‧ 1h38

Entre ondas e recomeços, um romance leve que navega sem se aprofundar

Melissa Pasqualli

O mar tem essa coisa curiosa: ao mesmo tempo em que assusta, nos chama de volta, e essa é basicamente a proposta de De Volta à Bahia.

Quando Pedro salva Maya de um afogamento, o gesto parece corriqueiro, mas logo entendemos que há algo maior ali. Os dois carregam traumas ligados à água, lembranças de perda e que poderiam muito bem ter definido o rumo de suas vidas. Só que a proposta do filme é outra: enfrentar a próxima onda, mesmo depois de ter sido derrubado por tantas delas.

Existe uma metáfora bonita nessa ideia de recomeço constante. O mar é mutável, imprevisível, e o longa tenta seguir essa mesma lógica ao falar de medo, superação e escolhas. O problema é que, diferente de uma boa aula de surfe, a narrativa não mergulha fundo. Fica em águas rasas, contornando conflitos que poderiam ter mais densidade emocional.

Em vários momentos, a sensação é de assistir a um grande episódio de Malhação, o que não é exatamente um defeito. Para quem busca um romance leve, histórias sobre amizade e amadurecimento, o filme cumpre seu papel, além de não exigir que ninguém “tire as crianças da sala”. Há um núcleo cômico bem estruturado que traz frescor e certa veracidade à trama, equilibrando os excessos (ou faltas) dramáticos e deixando tudo mais palatável.

O grande destaque, no entanto, é Mariana Freire. Sua personagem Beth, a cozinheira talentosa, dona de restaurante e mãe do protagonista, é quem realmente ancora o filme. Há verdade nas emoções que ela entrega: angústia, raiva, desespero, alegria e diversão. Cada sentimento pulsa na tela. É impossível não notar a força da interpretação, essa presença que parece carregar “tudo que a baiana tem” e ainda um pouco mais.

Pode não ser o grande acerto cinematográfico da dupla comandando a direção de Eliezer Lipnik e Joana di Carso, mas há um intuito claro de intenção. Existe ali um caminho sendo traçado. Talvez ainda falte profundidade, talvez falte coragem de se jogar em águas mais turbulentas, mas tudo aponta para um horizonte interessante. E, seja por terra ou por mar, é inegável que continuar navegando é sempre melhor do que permanecer parado na areia.

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