Lindas e Letais

(2026) ‧ 1h28

19.03.2026

Entre a coreografia e o caos

Lindas e Letais parte de uma premissa instigante ao aproximar dois universos que, à primeira vista, parecem distintos: o da dança e o da ação. A ideia de transformar movimentos coreografados em armas de sobrevivência tem potencial suficiente para criar algo estilizado e singular, mas o filme encontra dificuldades em sustentar essa proposta ao longo de sua narrativa.

A trama acompanha um grupo de bailarinas que, durante uma viagem, se vê preso em um cenário hostil após um imprevisto. O que começa como uma pausa forçada rapidamente se transforma em um pesadelo, colocando as personagens diante de uma ameaça brutal. É nesse ambiente isolado que o longa tenta construir sua tensão, ainda que nem sempre consiga dar densidade ao perigo que propõe.

Apesar da variedade de personagens, poucas delas ganham desenvolvimento suficiente para além de arquétipos básicos. Há a líder determinada, a rival provocadora, a jovem mais inocente, figuras que poderiam render conflitos interessantes, mas que acabam limitadas a traços superficiais. Isso compromete o envolvimento emocional, tornando difícil se importar verdadeiramente com seus destinos.

Lindas e Letais também tropeça ao tentar equilibrar seus tons. Em certos momentos, o filme flerta com um suspense mais estilizado, enquanto em outros mergulha em uma violência gráfica que soa deslocada, quase como se pertencesse a uma obra diferente. Essa oscilação impede que a experiência encontre uma identidade consistente.

Ainda assim, há lampejos do que o filme poderia ter sido. A sequência em que a dança se transforma efetivamente em combate, com o uso criativo da técnica e dos movimentos, entrega justamente o tipo de inventividade que a premissa prometia. É um momento energético, visualmente interessante e que finalmente dá personalidade à obra.

O problema é que esses acertos são pontuais. O restante da narrativa se desenrola de maneira previsível, com conflitos pouco elaborados e resoluções que não exploram todo o potencial dramático da situação. Mesmo elementos que parecem promissores acabam abandonados ou subutilizados ao longo do caminho.

Lindas e Letais se sustenta mais pela ideia do que pela execução. Há criatividade na base e alguns momentos que indicam um filme mais ousado, mas eles são insuficientes para compensar um conjunto irregular, que nunca encontra o equilíbrio entre estilo, tensão e desenvolvimento.

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AUTOR

Felipe Fornari

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