Game of Thrones – 7ª Temporada

(2011—2019) ‧ 1h

O começo do fim em Westeros

Felipe Fornari

Depois de anos construindo uma narrativa marcada por tragédias, traições e mortes inesperadas, a sétima temporada de Game of Thrones assume de vez o papel de preparação para a reta final da série. Com menos episódios e uma trama muito mais acelerada, a produção abandona parte da lentidão estratégica dos primeiros anos para apostar em encontros aguardados há muito tempo, grandes batalhas e uma sensação constante de urgência. O resultado é uma temporada extremamente envolvente, ainda que também evidencie algumas fragilidades inéditas na estrutura da série.

A chegada de Daenerys a Westeros finalmente coloca em movimento o conflito que vinha sendo prometido desde o início da produção. Ao mesmo tempo, Jon Snow tenta convencer líderes e inimigos de que a verdadeira ameaça está além da Muralha. Essa aproximação entre os diferentes núcleos funciona justamente porque a temporada entende o peso desses personagens dentro da narrativa. Pela primeira vez, figuras centrais que pareciam habitar séries diferentes começam a dividir espaço de forma mais frequente, criando interações que carregam anos de expectativa acumulada.

A redução no número de episódios traz consequências positivas e negativas. Por um lado, a trama praticamente elimina desvios e coloca os acontecimentos principais em destaque o tempo inteiro. Não há mais espaço para longas jornadas ou construções graduais como antes, e isso faz com que a temporada tenha um ritmo quase ininterrupto. Por outro, algumas decisões parecem rápidas demais, especialmente em relação às distâncias e ao tempo entre determinados eventos, algo que sempre teve importância dentro da lógica de Game of Thrones.

Ainda assim, é difícil negar o impacto visual e emocional que a série alcança aqui. Episódios como “The Spoils of War” entregam algumas das sequências de batalha mais impressionantes já vistas na televisão, utilizando dragões, exércitos e destruição em larga escala de maneira cinematográfica. O investimento gigantesco da HBO aparece em cada cena, desde os efeitos especiais até a grandiosidade das locações e da direção de arte. É uma temporada que constantemente busca transformar cada episódio em um evento.

Ao mesmo tempo, a narrativa começa a abandonar um pouco da imprevisibilidade brutal que definiu os primeiros anos da série. Ainda existem mortes importantes e momentos chocantes, mas já não há mais aquela sensação de que absolutamente ninguém está seguro. Alguns personagens parecem protegidos pela própria popularidade, e isso reduz parte da tensão que fazia Game of Thrones tão única. Em certos momentos, a série passa a funcionar mais como uma fantasia épica tradicional do que como a desconstrução cruel desse gênero.

Mesmo assim, os personagens continuam sendo o coração da série. A dinâmica entre Jon e Daenerys funciona bem, especialmente porque a série constrói o relacionamento deles a partir de objetivos e visões de mundo conflitantes. Lena Headey segue brilhante como Cersei, transformando cada diálogo em um jogo de manipulação e ameaça silenciosa, enquanto Peter Dinklage continua trazendo humanidade e inteligência para Tyrion. Entre reencontros aguardados e alianças improváveis, a temporada recompensa emocionalmente quem acompanha a série há anos.

No fim, a sétima temporada de Game of Thrones talvez seja a que melhor representa a transformação da série ao longo do tempo. Menos política detalhada e mais espetáculo grandioso, menos construção paciente e mais urgência narrativa. Embora nem todas as escolhas funcionem perfeitamente, a temporada entrega momentos inesquecíveis, batalhas impressionantes e a sensação clara de que Westeros está finalmente caminhando para sua conclusão definitiva.

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