Reality shows de namoro como The Bachelor se sustentam em situações forçadas, mas conseguem fisgar espectadores com um certo charme involuntário. A manipulação das emoções e o exagero melodramático, por mais artificiais que sejam, criam um fascínio que mantém o público preso. A Paris Errada, porém, não consegue reproduzir essa fórmula. O filme da Netflix tenta unir o doce artificial do gênero com a atmosfera de um reality de encontros, mas acaba entregando um produto sem graça, previsível e sem a faísca necessária para entreter.
A premissa até parece promissora: Dawn, interpretada por Miranda Cosgrove, sonha em estudar arte em Paris, mas acaba inscrita em um reality de namoro que, por um engano, acontece em Paris, Texas. A partir daí, abre-se o espaço para uma comédia romântica que deveria brincar com o absurdo da situação. No entanto, o roteiro não consegue extrair charme ou humor dessa ideia, caindo em lugares-comuns que já vimos incontáveis vezes em produções de baixo orçamento.

Um dos maiores problemas é que Dawn, construída inicialmente como uma jovem independente e determinada, rapidamente se perde em uma narrativa que mina sua força. Em vez de valorizar seu desejo de seguir uma carreira artística, o filme opta por reduzi-la a uma heroína que se rende a um romance forçado com Trey (Pierson Fodé), o caubói genérico que serve de prêmio da competição. O que poderia ser uma sátira espirituosa ao formato dos realities vira apenas uma repetição sem energia de clichês ultrapassados.
Visualmente, A Paris Errada também decepciona. A fotografia lembra gravações amadoras, com cortes bruscos e enquadramentos estranhos, quase como se tivesse sido filmado às pressas. A direção carece de estilo ou de qualquer assinatura, tornando o resultado ainda mais insosso. Até mesmo a ambientação em um rancho texano, que poderia render algum carisma visual, é reduzida a cenários genéricos sem vida.
O elenco secundário, formado por arquétipos inspirados nos típicos concorrentes de reality shows, também não acrescenta muito. As piadas soam preguiçosas e a tentativa de caricaturar diferentes tipos de participantes – da princesa mimada à influenciadora superficial – não passa de rascunhos mal explorados. Falta ritmo, falta timing cômico e falta principalmente química entre os personagens.

Cosgrove, com seu carisma, até tenta dar alguma energia à protagonista. Porém, o roteiro engessa sua atuação, deixando-a limitada a gags físicas e interações românticas sem inspiração. A relação entre Dawn e Trey jamais convence, já que não há qualquer tensão ou desenvolvimento real entre eles. O filme exige que o público acredite em um romance que simplesmente não existe.
No fim, A Paris Errada se perde entre o que poderia ter sido uma sátira divertida e o que acabou sendo um romance genérico, desprovido de originalidade ou encanto. Ao trocar o sonho da protagonista por uma relação sem graça, a produção transmite uma mensagem questionável e um final pouco satisfatório. Nem como paródia, nem como romance açucarado, o longa encontra seu lugar, resultando em uma experiência esquecível que falha em entregar até o mínimo de diversão esperado.







