A Queda

(2022) ‧ 1h47

Quando a altura não é o maior obstáculo

Pedro Fonseca

“Shiloh e Becky são caçadoras de adrenalina, e após a morte brutal de Dan, elas decidem enfrentar suas dores e medos da melhor maneira que conhecem, escalando.”

Escrito por Scott Mann e Jonathan Frank, dirigido por Mann, com cinematografia de Miguel “MacGregor” Olaso, e estrelado por Grace Caroline Currey, Virginia Gardner, Mason Gooding, e Jeffrey Dean Morgan, A Queda é misto de suspense, drama, e “ação de sobrevivência” com altos picos de adrenalina, mas, será que cai bem?

Habitantes dos cantos vertiginosos da internet sejam bem-vindos a uma crítica a 600 metros de altura.

Becky não consegue superar Dan, que morreu ao cair de um paredão enquanto eles e sua melhor amiga faziam uma escalada, e após se afastar de todos, e estar a beira do suicídio, Shiloh a visita e propõe que superem seus medos fazendo o que mais amam, caçando adrenalina, e o alvo já está definido, uma torre de transmissão desativada com cerca de 600 metros de altura.

E é óbvio que lá algumas coisas dão errado.

A direção de Scott Mann entende muito bem o principal trunfo da produção: o espaço. E a fotografia de MacGregor explora tanto a imensidão do cenário, quanto o enclausuramento, o que transforma a torre em uma prisão vertical. Não é necessário um monstro quando 600 metros de concreto, vento e metal já são suficientemente ameaçadores.

Grace Caroline Currey e Virginia Gardner também precisam de destaque, já que carregam muito bem a carga dramática do filme. Personalidades distintas, mas, que se completam, e que possuem em comum, tanto verdades quanto segredos, gerando uma boa química e dinâmica.

No entanto é aqui que A Queda começa a cair…

O roteiro frequentemente exige que o espectador aceite decisões convenientes. Alguns acontecimentos dependem de fortes coincidências, enquanto determinadas escolhas das personagens desafiam o bom senso, o que diminui a imersão. E isso incomoda bastante..

A Queda poderia ter confiado mais na situação de sobrevivência, pois a própria torre é o suficiente, não precisando inventar tantos obstáculos e nem focar em reviravoltas artificiais. Quando a história começa a revelar determinadas informações, a tensão construída anteriormente perde parte de sua força porque percebemos o mecanismo por trás do suspense.

Ainda assim, seria injusto ignorar o mérito da produção, que é de saber provocar desconforto físico, já que algumas sequências são genuinamente angustiantes, especialmente quando a câmera abandona qualquer sensação de segurança e nos coloca diante da escala absurda daquele lugar.

O problema é que o roteiro quer ser mais inteligente do que realmente é.

Existe uma boa história sobre luto, culpa, amizade e sobrevivência escondida dentro de um thriller de sobrevivência bastante eficiente, e quando o filme permanece concentrado nessas questões, ele funciona muito bem, no entanto, quando começa a empilhar soluções convenientes, fica evidente que a ideia é mais forte do que a execução.

A Queda é criativo, original e esforçado, mas, escorrega em más execuções, assim como em elementos narrativos que diminuem a qualidade intrínseca da obra.

ONDE ASSISTIR

OUTRAS CRÍTICAS