Um combo de estereótipos aplicados da forma mais criativa e inovadora possível: é isso que encontramos ao assistir A Sapatona Galáctica, uma sátira repleta de humor ácido, mas como não se vê todo dia!

A Princesa Saira é uma jovem que valoriza acima de tudo sua namorada. Ao lado da extrovertida, aventureira e confiante Kiki, ela, que é tímida, introvertida, e fã de truques de mágica, se sente completa, mas duas semanas de namoro são suficientes para que Kiki termine o relacionamento. Arrasada, Saira se esconde em seu mundinho até descobrir que a ex foi sequestrada por um trio de alienígenas que ameaçam a vida de Kiki, a menos que ela consiga intervir. Saira precisa reunir toda a coragem que não tem e tomar uma atitude, e é assim que ela descobre muitas verdades sobre si.
As diretoras Leela Varghese e Emma Hough Hobb, aliadas à roteirista Emma Hough Hobb já venceram o Teddy Awards na Berlinale, prêmio voltado especialmente para produções LGBTIAPN+ com A Sapatona Galáctica, e agora o longa chega ao Brasil para encantar não só o público-alvo, mas também todos os seus simpatizantes.

Uma produção dinâmica e inteligente, que não perde tempo em oferecer explicações e contextos, mas mostra o universo queer como ele é em toda sua glória. Ao reverter a aplicação dos estereótipos, tudo fica mais interessante de ser assistido: temos um planeta habitado exclusivamente por mulheres lésbicas, que vivem na cidade de Clitópolis, os vilões são denominados “Maliens Brancos Heterossexuais”, a nave pilotada pela Princesa Saira tem a personalidade de um cara, e em dado momento fica deslumbrado com o fato de ser verdadeiramente ouvido pela primeira vez. Nada novo mas ao tempo TUDO novo, engraçado, e com uma estética que lembra os desenhos animados do início dos anos 2000.
Um filme que merece espaço, relevância, e que vem para mostrar o que há de novo ao mesmo tempo que conversa sobre as questões que envolvem todos nós, relacionamentos, acreditar em si, vencer seus medos, se gostar com é, descobrir a força interior, amizade, e claro, amor, em todas as suas formas.




