A Senhora da Van

"A Senhora da Van" é uma vibrante dramédia sobre a relação entre uma idosa sem-teto e um dramaturgo solitário

07.04.2016 │ 10:32

07.04.2016 │ 10:32

"A Senhora da Van" é uma vibrante dramédia sobre a relação entre uma idosa sem-teto e um dramaturgo solitário

A Senhora da Van é a versão cinematográfica da peça dirigida pelo mesmo diretor que estreou a peça de Alan Bennett, em 2000. Nicholas Hytner, de As Loucuras do Rei George, também baseado numa peça de Bennett, já deixa o tom do filme claro nos créditos iniciais: “uma história parcialmente real”, ele diz.

No filme, Maggie Smith, que ficou mais conhecida como a professora McGonagall da série Harry Potter, interpreta uma senhora sem-teto excêntrica, mal-humorada, solitária e misteriosa e que não tem papas na lí­ngua ao estacionar sua van nos subúrbios de Londres. Obviamente, como protagonista da história, o foco está na atuação de Smith. Sabendo disso, a atriz entrega uma personagem emocionalmente rica, com uma personalidade problemática, engraçada, mas cheia de tristezas.

O filme acompanha Mary Shepherd, uma senhora idosa que mora dentro de uma van. Devido aos seus hábitos pouco higiênicos, os moradores não gostam nem um pouco quando ela decide estacionar o carro próximo às suas casas. O único que a tolera é o escritor Alan Bennett (Alex Jennings, de A Rainha), que permite que ela use seu banheiro de vez em quando. Após algum tempo, os moradores conseguem que a prefeitura proíba que qualquer carro fique estacionado no bairro. A intenção era que a srta. Shepherd deixasse o local, mas ela encontra uma saída quando Alan oferece uma vaga existente em sua própria casa para ela estacionar.

Bennett é apresentado como um homossexual enrustido com poucos amigos. Ele tem duas personas: uma que escreve suas peças e a outra que vive sua vida. Ele tem uma relação muito próxima com a mãe, mas ela está numa curva descendente para a senilidade e debilitação fí­sica. Mas quando isso acontece, ele vai gradativamente substituindo a mãe pela srta. Shepherd.

Smith está impecável no papel tí­tulo e a relação dela com Bennett é muito bem explorada ao longo dos 104 minutos de duração do longa. O diretor se embrenha nos 15 anos de relação entre os personagens e envolve o espectador de tal maneira que até faz ele desejar que uma senhora sem-teto venha estacionar em sua garagem (caso você tenha uma!).

A Senhora da Van é um drama comovente e engraçado, que traz diversos insights sobre bondade, compaixão, velhice, solidão e comunidade, talvez tendo como principal lição a maneira de enfrentar o desafio de lidar com pessoas difí­ceis.

P.S.: O plano final do filme é de um impacto que vai te fazer derramar uma lágrima mostrando o quão “parcialmente real” a história retratada em A Senhora da Van foi. 😉

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