A Vida Secreta de Meus Três Homens, dirigido por Letícia Simões, transita entre o documentário e a ficção. A diretora nos traz as três figuras masculinas mais importantes da sua vida: pai, avô e padrinho. Não apenas para nos contar uma história familiar, mas para refletir sobre a própria história do Brasil, onde cada homem se insere dentro de um cenário, como a ditadura e o cangaço.

Simões não opta pelo realismo documental tradicional, como estamos acostumados. Ela escolhe um formato que mistura teatro e imagens de arquivo. O filme não parece ter um objetivo comercial. Os cenários são neutros, e os monólogos são frequentes. Uma escolha audaciosa já que vivemos em tempos de TikTok. Simões nos chama para imaginar as cenas ao invés de mostrá-las. A memória surge como coadjuvante ativa, e nós, público, interagimos com o espetáculo.
Entretanto, o filme é “difícil”. Me pareceu mais uma necessidade autoral da diretora do que uma preocupação em agradar o público. Me pareceu mais um cinema feito para poucos, um cinema de elite. Até porque, ser autoral sempre foi relacionado a linguagens mais vanguardistas, o que dificilmente agrada as massas. A mesma estrutura que sustenta a originalidade do projeto também revela suas fragilidades.

A tentativa de unir as histórias pessoais dos homens de sua família com um cenário sociopolítico não é fluído. O roteiro não parece funcionar, mas a criatividade da direção ninguém pode dizer que é ruim. Pelo contrário. Por mais diretores e diretoras como Letícia Simões.
O longa não me parece ser uma opção para o público acostumado a um cinema mais comercial. É um filme que exige entrega e atenção plena para que ele funcione bem. É um filme para amantes da arte. Um filme para quem gosta de cinema autoral.






