Fanon é um filme que exige escuta sem pressa, pois traz para o cinema uma visão sobre a vida e atividades do filósofo e psiquiatra caribenho Frantz Fanon.

O longa tem sucesso em mostrar as principais ideias que Fanon defendia, como a descolonização da mente, sua luta revolucionária contra o colonialismo, a construção de um novo humanismo, combate ao racismo, ocupação por parte de pessoas pretas em locais considerados apenas para brancos. Porém, o filme falha um pouco na execução. Em vez da energia que essas pautas normalmente trazem para qualquer um, a encenação fica contida, por vezes até sem uma trilha sonora que acompanhe a urgência retratada. Essa escolha não compromete a relevância do conteúdo, mas afeta o envolvimento.
Por outro lado, a narrativa se constrói muito mais pelo que é dito do que pelo que é mostrado, e isso funciona especialmente quando o foco está nas ideias, ainda mais aquelas que continuam tão atuais. Há uma atenção em organizar esse pensamento de forma acessível, quase como um convite para quem ainda não teve contato com sua obra. Nesse sentido, o filme cumpre um papel importante de ponte.

No fim, talvez o maior valor de Fanon esteja fora da tela, ou seja, naquilo que ele provoca depois que termina. É um filme necessário, ainda mais em um presente como o de agora, em que os mesmos temas ressurgem e a necessidade de debate, de combate a opressão e de recusa a voltar a como era antes é tão imprescindível. Mais do que impactar pelo formato, Fanon se destaca pela importância do que diz. E, às vezes, isso já é motivo suficiente para existir.







