Afire

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"Afire": uma sofisticada e elegante tragicomédia alemã sobre inteligência emocional

Oi! Aqui vai um rápido resumo para aqueles que tem pressa:

  • O longa foi dirigido por Christian Petzold, um dos maiores cineastas do novo cinema alemão.
  • Afire é o segundo filme de uma trilogia sobre elementos da natureza.
  • No filme, vemos a história de 4 jovens adultos tentando lidar com suas próprias emoções, enquanto incêndios florestais ameaçam a redondeza.
  • O tema central do longa é o contraste entre o desejo de controlar o que nos acontece, e a capacidade de lidar com situações novas e diferentes.
  • A crítica especializada recebe muito bem Afire, considerando o filme o ápice cinematográfico de Christian Petzold.
  • Assista AFIRE! Vale muito a pena!

QUEM É CHRISTIAN PETZOLD?

Petzold é um cineasta alemão representante de um movimento cinematográfico chamado de “ESCOLA DE BERLIM”. Esse movimento cinematográfico inicialmente foi batizado como a Nouvelle Vague alemã, mas por motivos comerciais foi rebatizado como Escola de Berlim. Com vários filmes prestigiados, Petzold agora se dedica agora a construir sua trilogia dos elementos naturais. Undine, seu filme anterior, teve o elemento água como inspiração. Afire utiliza o fogo, mas não deixa de lado o elemento do filme anterior.

O QUE É A ESCOLA DE BERLIM OU A NOUVELLE VAGUE ALEMÃ?

Filmes considerados da Escola de Berlim apresentam histórias comuns do dia a dia. Os ambientes remetem a lugares anônimos e sem importância. Em Afire, a casa na floresta onde os personagens passam o filme poderia ser qualquer outra casa em qualquer outra floresta. O que importa para esse movimento é o desenvolvimento dos personagens, com suas personalidades marcantes e bem estabelecidas. O silêncio é uma das características da Escola de Berlim, forçando o público a observar e refletir sobre o que está assistindo. Geralmente os filmes possuem final aberto, entregando a responsabilidade da conclusão emocional nas mãos do espectador.

QUAL A HISTÓRIA DE AFIRE?

Afire se passa em uma casa de campo no ápice do verão alemão. A história gira em torno do jovem escritor Leon (Thomas Schubert) que decide se isolar em uma casa de campo junto com seu amigo Felix (Langston Uibel), um estudante de fotografia. Leon é um rapaz controlador que tem dificuldade de viver a vida da forma como ela surge, experimentando a frustração como resultado de suas expectativas não realizadas. Já Felix é o contrário. O jovem fotógrafo se entrega sem medo à vida, quase como uma criança descobrindo o mundo à sua volta.

Para a frustração de Leon, a casa de campo já estava habitada pela bela Nadja (Paula Beer), uma bela mulher que sabe aproveitar a vida. Todas as noites Nadja recebe seu amante, o atlético salva-vidas Devid (Enno Trebs), provocando sentimentos ruins em Leon, que estava ali para trabalhar em seu novo livro.

Ao mesmo tempo que os 4 jovens se aproximam, incêndios florestais começam ameaçar a redondeza. À medida que o fogo se torna mais forte e perigoso, mais as emoções dos personagens entram em ebulição, culminando em situações irreversíveis.

O longa está repleto de reviravoltas (plot twists) que mudam a história a cada minuto. O que parecia ser apenas um filme de férias no verão se transformou em uma jornada de autoconhecimento.

COMO ESSE FILME PODE SER BOM SE OS ALEMÃES NÃO TÊM SENTIMENTOS?

Esse tipo de pensamento é bem comum entre nós latino americanos. Por aqui, especialmente no Brasil, nós somos ensinados que é errado mentir, mas também que não é certo dizer o que pensamos para as outras pessoas, porque isso pode machucar. Vivemos em uma linha tênue entre ser sincero e ser agradável, o que nos torna extremamente receptivos para outros povos. Mas essa prática diplomática de emoções superficiais custa caro para nós, que geralmente pagamos em terapias ou remédios para ansiedade ou depressão.

Em Afire, nós nos deparamos com o emocional cru e direto dos alemães. É até um pouco chocante ver como os personagens se tratam em alguns momentos, pois aqui em solo brasileiro eles seriam considerados rudes ou não empáticos. Talvez isso tenha ajudado no mito de que os alemães não têm sentimentos. Eles têm! Mas expressam de uma forma mais eficiente e madura. Aqui nós chamamos essa forma de se expressar de inteligência emocional.

E é esse aspecto emocional que torna o filme extremamente interessante para nós. Afire é uma obra que pode nos ensinar a viver a vida de forma mais leve, sem medo de ser quem de fato queremos ser.

VALE A PENA ASSISTIR A ESSE FILME!

Sim! Eu assisti Afire 2 vezes! A primeira para fazer essa resenha, e a segunda no dia seguinte, por puro prazer. E isso é muito raro. Mesmo gostando de um filme, demoro um tempo para revê-lo. Mas o longa de Petzold tem uma narrativa sofisticada que não é fácil de reproduzir. A sensação que temos é de assistir algo muito bem elaborado, que foi pensado com cuidado. O humor sarcástico e os eventos dramáticos combinam muito bem. Quando bem-feito, como aqui, o resultado é maravilhoso.

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