“Após um acidente na sessão de bagagens, o voo de Los Angeles para Xangai cai no Oceano Pacífico, e os poucos passageiros que restaram precisam sobreviver aos perigos das Águas Mortais, até a chegada do resgate.”
Dirigido por Renny Harlin, escrito por Sayne Armstrong, S.P. Krause, Pete Bridges, e Damien Power (O Acampamento), com música por Fernando Velázquez, e estrelando Aaron Eckhart (Batman: O Cavaleiro das Trevas), Ben Kingsley (Nosso Amigo Extraordinário), Angus Sampson (Mortal Kombat), Molly Belle Wright, Lucy Barret, Rose Zhao, Lakota Johnson, Elijah Tamati, e extenso elenco. Águas Mortais é um suspense de ação, com toques de drama, terror de sobrevivência e “creature feature”.
Habitantes dos cantos escuros da internet, sejam muito bem-vindos a mais uma crítica cinematográfica alucinante, por isso, apertem seus cintos, prendam a respiração, pois estaremos nos aprofundando em Águas Mortais.

Filmes de desastres aéreos, sobrevivência em local inóspito, pessoas desesperadas, e tubarões assassinos pipocam nas telas todos os anos, alguns passam despercebidos, outros marcam o cinema para sempre, mas de qualquer maneira, eventualmente nós paramos o que estamos fazendo para nos entreter com essas temáticas extremas. Em Águas Mortais, esses elementos são unificados, sob a direção de Harlin, que é um veterano dos “condrictes”, pelo seu trabalho em Do Fundo do Mar de 1999, possuindo elementos intrigantes, personagens que desafiam estereótipos, e outros que os reforçam em demasia, cenas que transmitem uma realidade intensa e crua, enquanto outras demonstram artificialidade e fantasia. É uma obra que mexe com os nossos sentimentos, com cenas dramáticas mais emocionais, e momentos de ação de tirar o fôlego, buscando trazer mensagens pontuais como aproveite a vida intensamente, seja leve e trate os outros bem, nosso tempo aqui é curto.
Como pontos positivos podemos dar destaque para as cenas envolvendo a queda da aeronave, pois entregam uma carga dramática e psicológica enorme, evocando uma sensação de realidade desconcertante, em uma imersão profunda e amedrontadora.
Nenhum personagem está a salvo, e isso retira de cena a obviedade constante do subgênero, a qualquer momento, independente do processo de desenvolvimento do personagem, uma reviravolta pode acontecer e o eliminar de vez.
Além disso, a direção é focada, faz o melhor com o que tem em mãos, e entrega uma história convincente a maior parte do tempo. A cinematografia e a trilha sonora cumprem muito bem o seus papéis, inserindo o espectador com maestria em cada desastre, reforçando a sensação de abandono, tensão, e sobrevivência.

A presença do ator Angus Sampson entrega que algo de humor estará envolvido, e de fato isso acontece, mas, não na maneira verdadeiramente engraçada, como um alívio cômico, e sim, entregando um aspecto esquisito a obra, sendo isso o pior ponto do filme. Suas ações e as consequências delas são demasiadamente estereotipadas, quebrando a seriedade e imersão, trazendo um aspecto de cinema sarcástico noventista, como se não se levasse tão a sério, o que ao meu ver, é desnecessário.
Curiosidades:
- Um dos produtores é o músico Gene Simmons, conhecido por sua icônica banda KISS.
- O ator Lakota Johnson ficou muito conhecido anos atrás por seus vídeos no Tik Tok.
- Além de ter dirigido um outro filme com tubarões, Renny Harlin tem uma carreira de 40 anos com presença marcante até hoje nos filmes de terror, como na atual franquia Os Estranhos.
Águas Mortais um filme simples, sem muito desenvolvimento de história e personagens, mas que possui uma direção precisa, traz um pouco de realidade em meio a artificialidade do gênero, ao mesmo tempo que proporciona um entretenimento interessante para os fãs de tubarões assassinos, desastres aéreos, e sobretudo, de sobrevivência, especialmente quando um grupo de pessoas precisa deixar as diferenças, medos e julgamentos de lado, para que assim, possam retornar para as suas vidas.







