Aleluia

22.01.2016 │ 09:39

22.01.2016 │ 09:39

Vermelho é a cor da paixão, da luxúria, do desejo. Ah, mas também é a cor do sangue… que pode brotar do seu dedo, por conta de um arranhão, ou jorrar de um corte nada singelo efetuado por um machado. Aí você pergunta, o que paixão e morte têm em comum? Ah, muita coisa, e o filme Aleluia (Alléluia), do diretor belga Fabrice Du Welz (Espíritos Condenados), vai te mostrar essa conexão macabra, porém, baseada em fatos reais (te peguei agora, né?).
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O filme, dividido em atos, acompanha Michel (Laurent Lucas, de Harry Chegou Para Ajudar) e suas conquistas românticas. Mas quando digo “conquistas românticas”, não é no bom sentido, não. Ele procura mulheres solitárias, seduz as pobrezinhas, arranca uma graninha e desaparece. Mas quando ele conhece Gloria (Lola Dueñas, de Volver), a coisa muda de figura. Não porque ele se apaixona por ela, não. Mas sim porque ela, sem se conformar com o desfecho da noitada que adorou, vai atrás dele (sai pela noite, com uma foto, perguntando se alguém o conhecia. Obsessiva? Não, claro que não). E depois disso, ela deixa a filha na casa da vizinha (sério?) e o casal de pombinhos (ele vendo nela a figura da mãe que nunca teve, e ela obcecada por ele. Relacionamento super saudável) começa a extorquir mulheres solitárias, que o filme apresenta em atos (depois do ato “Gloria”, temos “Marguerite”, “Grabriella” e “Solange”). E eles trabalham muito bem em equipe: enquanto ele seduz, ela mata e se livra do corpo.
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A paixão completamente obsessiva desses dois é incrivelmente trabalhada pelo diretor, que também é responsável pelo roteiro. Primeiro, na estética do filme. Ele usa e abusa do vermelho (seja nos neons à noite ou no batom matador de Gloria), usa câmera lenta nos surtos de Gloria e closes que incomodam. Além disso, Lucas e Duenãs estão tão convincentes em seus papéis que dá medo mesmo. Uma das cenas mais estranhas e aterradoras acontece já no início do filme. Enquanto Gloria está sendo convencida pela amiga a se encontrar com o bonitão do site de relacionamentos (“Ah, é só um jantar!”), Michel está em sua casa, um lugar escuro e estranho, e aparece enrolando uma foto de Gloria, amarrando e queimando enquanto repete, “Você não vai resistir ao meu charme” (Socuero, bombuero!). E Gloria, ah, Gloria. Depois que eles já estão juntos, ela sofre surtos quando ele se aproxima de uma mulher, esperneando, e gritando, e matando, em casos mais sérios.
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E agora, vamos voltar a um dado que fez você arregalar os olhos: o filme é baseado em fatos reais. Bom, é baseado do tipo vagamente inspirado na história de Raymond Fernandez e Martha Beck, que na década de 1940, nos Estados Unidos, extorquiam e matavam viúvas de guerra. A história já teve outras versões cinematográficas (a última é de 2006, [video_lightbox_youtube video_id=”4eYesaUQ8Mk&showinfo=0″ width=”640″ height=”360″ anchor=”Os Fugitivos”], com Salma Hayek e Jared Leto no papel do casal psicopata). Mas com certeza nenhuma versão se compara a Aleluia. Então corre aproveitar que é de grátis, online, da comodidade da sua casa, e bora conferir este clássico de sexta à noite.
Nota:

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