Depois de dez anos de uma produção cinematográfica dedicada, chega aos cinemas o novo filme do diretor Evandro Scorsin: Aloha, Malandro.

Jairo (Arno Pruner) quer o que todos os malandros como ele querem: uma vida fácil, em que tudo que se precisa está ao seu alcance sem preocupações ou fazer grandes esforços. Quando menos espera, seu meio-irmão Barãozinho (Renet Lyon) se vê envolvido com uma garota que tem como irmão um contrabandista de arte, e Jairo decide aproveitar a coincidência para se extorquir o ladrão, e conquistar seu sonho de vida tranquila. No meio da confusão, ele, completamente cético, acaba se apaixonando, e o sentimento o leva a cometer grandes loucuras, deixando a vida mais complicada do que ele jamais imaginaria.
Único longa-metragem curitibano no Festival de Cinema Fantástico Djanho!, o filme foi categorizado como uma aposta sob influência do gênero gore e comédia, em uma espécie de humor cartunesco, porém, o público talvez tenha grande dificuldade em identificar onde estão essas nuances. A história até é interessante, mas a forma como é apresentada acaba dificultando o envolvimento com a trama.

Os efeitos de edição, por exemplo, parecem mais denunciar uma certa inexperiência do que contribuir para a narrativa. Sobreposições de imagens e cores utilizadas para enfatizar os sentimentos dos personagens tornam algumas cenas visualmente amadoras, enquanto os cenários também passam uma impressão bastante artificial. O próprio narrador-personagem é pouco cativante. Sua presença, que poderia aproximar o público da história, acaba ficando cansativa e, em alguns momentos, ele mais irrita do que envolve. O mesmo acontece com os demais personagens, que parecem mais uma galera com quem você não gostaria de dar um rolê do que pessoas capazes de despertar curiosidade ou empatia.
No fim, o filme parte de uma ideia que poderia render uma mistura interessante de malandragem, romance, e até gore e comédia, mas encontra dificuldades para transformar essas referências em uma linguagem própria. A história está ali, mas a maneira como ela chega às telas acaba deixando mais evidente a construção do filme do que a diversão que ele pretende proporcionar.








