Amanhã

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“Amanhã” mostra uma sociedade em transformação através do olhar sensível de Marcos Pimentel

O documentário Amanhã, dirigido por Marcos Pimentel, é uma jornada cinematográfica que nos faz refletir sobre como nossas escolhas pessoais e políticas podem afetar a sociedade como um todo. O filme mergulha nas complexidades e desigualdades que permeiam o Brasil contemporâneo.

Pimentel cria uma obra que discursa sobre as mudanças radicais que o Brasil enfrentou ao longo de duas décadas. Sua inspiração remonta a 2002, em um encontro de crianças nas margens opostas da Barragem Santa Lúcia, na capital mineira. Uma dessas crianças é José Tomás, que morava em um condomínio de classe média, enquanto os irmãos Cristian e Júlia moravam em uma casa no Morro do Papagaio.

Amanhã logo no início nos apresentada uma paisagem social contrastante de Belo Horizonte, onde a proximidade geográfica entre uma favela e um bairro de classe média alta é eclipsada pela distância social entre seus habitantes. E após 20 anos, Marcos Pimentel retorna ao local e reencontra as mesmas crianças, que agora são adultas, e tenta descobrir o que mudou de lá para cá.

Ao longo da narrativa, somos levados a testemunhar não apenas as trajetórias individuais desses personagens, mas também a evolução do próprio Brasil. Somos guiados em uma jornada marcada por momentos de afeto e revelações difíceis, enquanto somos confrontados com as realidades cruas da desigualdade, da polarização política e das lutas diárias enfrentadas por aqueles que estão à margem da sociedade.

O filme possui uma abordagem simples, porém funcional, permitindo que os protagonistas compartilhem suas histórias sem julgamentos. A voz dos entrevistados ressoa de forma poderosa, destacando as nuances de suas experiências de vida. Desde as reflexões de Júlia, agora mãe e cabeleireira, até as transformações pessoais de Cristian, “Amanhã” mergulha nas camadas mais profundas da condição humana.

O documentário nos entrega belíssimos momentos de contemplação, nos permitindo absorver com o devido impacto emocional momentos específicos da narrativa.

Pimentel buscou evitar sensacionalismos, o que já é uma tarefa complicada devido à complexidade dos temas que foram abordados. A sensação que temos quando o doc termina, é a de uma melancolia triste sobre o nosso próprio passado, sobre as nossas trajetórias individuais, e dos acontecimentos que transformaram o nosso país no que ele é hoje.

Amanhã não é apenas um registro da desigualdade social em Belo Horizonte, mas sim uma reflexão profunda sobre as tensões e contradições do Brasil. É um convite para refletir sobre o papel que cada um de nós desempenha na construção de um futuro melhor.

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