Até que a Sorte nos Separe 3

24.12.2015 │ 13:34

24.12.2015 │ 13:34

Você já deve ter ouvido falar da história: família ganha na Mega Sena e torra toda a grana. Ou ganha uma herança, e torra também. “Ou”, né? Mas a família Peixoto, em Até que a Sorte nos Separe, já usou estas duas possibilidades de torrar dinheiro nos dois primeiros filmes da franquia. O que sobrou? Arranjar um emprego e mandar tudo pras cucuias, que tal? Esta é basicamente a história de falência da família gastadeira em Até que a Sorte nos Separe 3.
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Pra recapitular, Tino (Leandro Hassum) e Jane (Danielle Winits no primeiro filme, Camila Morgado no segundo e no terceiro) são dois duros que ganham R$ 100 milhões na Mega Sena, mas torram tudo. E Tino passa por poucas e boas pra esconder da esposa, que está grávida do terceiro filho, a falência deles. Depois, no próximo filme, eles herdam uma herança de um tio de Jane que morreu. Vão pra Las Vegas e conseguem torrar tudo também, e depois tem que fugir até de credores. Agora no terceiro filme, eles já começam falidos (a primeira cena do filme é muito engraçada, com a família mostrando pequenas formas de economia que vão te fazer pelo menos dar um sorriso, como espremer o tubo de pasta de dente ao último, colocar tênis atrás da geladeira pra secar, entre outros), com Tino vendendo Biscoitos Globo no sinaleiro – mas se dando muito mal, lógico. Mas aí a sorte sorri pro cara, de uma maneira um tanto quanto violenta, mas sorri: ele é atropelado por um milionário, que paga todas as contas do cara e sustenta a família enquanto ele está em coma. E, no final, ainda vai casar com a filha de Tino! Parece que a família se deu bem de novo, mas aí, mais parecendo um ímã de azar, Tino provoca a falência da empresa onde trabalha e o resto é história 🙂
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Depois de começar a investir maciçamente em comédias, o cinema nacional está pelo menos competitivo, arrastando audiências que antes se entretinham apenas com blockbusters americanos. E a franquia Até que a Sorte nos Separe é um exemplo disso. O primeiro filme, que gastou pouco mais de R$ 5 milhões para ser feito, arrecadou mais de R$ 30 milhões. Já o segundo, que gastou quase a mesma coisa que o primeiro, arrecadou quase 15 milhões a mais. Aposta de sucesso com retorno garantido, diferente da aposta na Mega Sena que gerou um prêmio de R$ 100 milhões pros personagens baseado em pura sorte. E o terceiro filme da franquia vai abrir em um número recorde de salas em todo o Brasil, fazendo dele o filme a abrir em um maior número de salas da história do cinema brasileiro. É, a sorte não tem mesmo nada a ver com esse sucesso todo.
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O terceiro filme é bem mais engraçado que o segundo. E em partes até melhor que o primeiro. Leandro Hassum chega a ser insuportável em algumas piadas, mas no geral você ri mesmo. E alguns assuntos são um pouco mais sérios, como a situação política do país sendo abordada (primeiro levianamente, pois Tino acaba responsabilizado por toda crise brasileira devido a uma besteira que fez, ou melhor, cagada) e até discutida pelos personagens, com algumas boas lições de moral em diversas cenas (o pai do Rique, avô do atropelador de Tino, que vive uma vida bem simples na roça, aponta o dedo para os personagens e os culpa por toda a crise que o país está passando, dizendo que em seu tempo as pessoas trabalhavam, não esperavam que o dinheiro viesse fácil). E tem uma cena com a presidenta Dilma (claro que não é ela, ok?), em que ela chuta a bunda de Tino (literalmente!) e otras cocitas más.
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Então no geral o filme é bem engraçado. Claro, claro, claro que tem piadas idiotas, preconceituosas, o clichê rola solto, mas o filme tem uma mensagem bem bacana, então se botar tudo na balança o resultado é bem positivo. E tenho certeza que o filme vai fazer bem mais que os outros, e os produtores vão continuar com as comédias que estão arrastando as plateias aos cinemas. O que não deixa de ser positivo, né, não? Se você precisa ver no cinema? Claro que sim! De preferência com a família toda, depois de se entupir de comida no Natal, e não esquece de levar a vó, que vai rir horrores 🙂
Nota:

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