A História de Souleymane

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"A História de Souleymane": Dois dias e toda uma existência

A História de Souleymane, dirigido por Boris Lojkine, é um filme que se faz ser ouvido sem precisar gritar para isso. Com uma narrativa contida e detalhista, o longa nos leva por dois dias da vida de um jovem guineense que busca asilo político em Paris.

O que mais impressiona no filme é a sensação constante de urgência. Cada minuto importa. Um atraso, uma informação errada, um erro de cálculo: tudo tem peso. Souleymane vive uma rotina onde perder o horário pode significar não ter onde dormir, não conseguir comer, não ter acesso ao básico, mas o filme não dramatiza. Ao contrário, é justamente a naturalidade com que essas situações são mostradas que deixa tudo mais angustiante. A câmera acompanha de perto, quase colada ao corpo do protagonista, e isso cria uma intimidade e ao mesmo tempo uma torcida por ele.

A escolha do diretor por uma abordagem quase documental é um dos grandes acertos do filme. Nada parece roteirizado ou muito artificial. Há uma verdade crua em cada cena, e isso faz com que A História de Souleymane se torne mais do que um retrato, é um convite à empatia. A realidade de quem vive em situação de refúgio é exposta sem filtros, mas com muito respeito. O espectador se vê desafiado a repensar seus próprios preconceitos, a considerar o que leva alguém a deixar tudo para trás: a sobrevivência precária, o medo constante, a violência insuportável.

O filme é simples, sim, mas não superficial. E talvez seja justamente por isso que emociona tanto. Ao retratar um cotidiano que mal chega ao noticiário, Lojkine nos lembra que há histórias sendo vividas em silêncio ao nosso redor e que merecem ser ouvidas e compreendidas. A História de Souleymane inspira solidariedade. E faz isso sem apelos fáceis, sem soluções mágicas, apenas mostra.

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