Caiam as Rosas Brancas!, dirigido por Albertina Carri, é uma coprodução entre Argentina e Brasil, com locações em Buenos Aires, Missiones, São Paulo e Ilha Bela. O filme inicia com uma frase, “ou inventamos ou erramos”. Infelizmente, nesse caso, erraram ao tentar inventar demais.
A sinopse é a seguinte: Violeta é uma cineasta que realizou um filme amador erótico lésbico com algumas amigas, o que a faz ganhar alguma projeção e o reconhecimento da crítica. A partir desse sucesso inesperado, ela é chamada a realizar uma grande produção do mesmo gênero. Porém, os conflitos artísticos, dúvidas, inquietações e desejos sexuais, fazem com que ela desista do projeto e acabe fugindo de Buenos Aires, com suas amigas, Rosario, Agustina e Carmen para Missiones, em um verdadeiro road movie nos pampas argentinos.
No entanto, o filme se perde em um emaranhado de ações e relações desconexas, o que poderia nos levar a pensar que a trama iria se desenvolvendo no caminho, filmando no caminho. A viagem não é para fazer um filme, mas para fugir de realizá-lo. O tom de inadaptabilidade social das personagens não é aprofundado, tornando o convívio entre elas raso e sem sentido algum, frustrando o expectador, pois poderia significar uma tentativa de se redescobrirem, de se reconectarem com a arte e com seus desejos e vontades.

A viagem também poderia ser uma tentativa de enfrentar os medos de Violeta, mas como sabemos muito pouco da vida da protagonista, perde-se a oportunidade de apresentar ao espectador os seus dilemas pessoais, a profundidade e a essência das personagens, não auxiliando no entendimento da narrativa, tornando-se cada vez mais confusa e sem um sentido aparente. Elas acabam encontrando com outros personagens e passando por algumas situações tensas e de perigo, quando são constrangidas e ameaçadas por motoqueiros, mas que acabam sendo enfadonhas, devido ao movimento lento que a diretora imprime à obra.
Em se tratando de uma espécie de road movie, esperava-se cenas com alguma dinâmica, que prendessem a atenção, mesmo que recorrendo aos aspectos mais básicos de filmes de ação. Não é o que acontece. Em pelo menos duas tomadas longas extremas, de determinados planos, são apresentadas imagens aleatórias, como de um pântano, no qual o movimento de câmera é impreciso, o som tecnicamente prejudicado e o roteiro se perde.
Um aspecto positivo é a fotografia, que privilegia paisagens da região das Missiones, a província mais verde da Argentina, coberta por florestas com inúmeras árvores, uma verdadeira selva, do litoral paulistano, com praias exuberantes, como Ilha Bela, e até mesmo, a catarse paulistana, com suas dores, delícias e contradições.

Em uma virada interessante, as personagens deixam a região das Missiones e partem de helicóptero para São Paulo, com a ajuda financeira da produtora de Violeta. No Brasil, a protagonista, como forma de indenização pelos prejuízos sofridos pela produção não finalizada e segundo a sua produtora, “dinheiro não é poema”, é convocada a realizar um documentário sobre urbanismo e aporofobia, fazendo com que percorram a cidade, constatando o medo, aversão, ódio e rejeição aos pobres.
No ato final, somos surpreendidos com uma personagem enigmática, que segundo a sua própria descrição, é uma figura “vampirizada pelos tempos atormentados pelos espantos”, sendo responsável pela última e derradeira frase do filme: “e assim, acaba esse conto tremendamente pornográfico”, que não disse ao que veio e nem para aonde estava indo.







