Cruella

(2021) ‧ 2h14

28.05.2021

"Cruella" funciona como um delicioso "Diabo Veste Prada" da Disney

Não sei o que é mais delicioso de ver em Cruella. Se é a vencedora do Oscar Emma Stone (por La La Land: Cantando Estações) se divertindo com um penteado preto e branco ou o desfile recheado por figurinos incríveis e maravilhosos.

Cruella segue o manual de Coringa, da DC, e retrata um personagem vilanesco de forma a adicionar camadas ao personagem. O espectador sai de Cruella achando que conhecia a personagem sequestradora de filhotinhos, de 101 Dálmatas (interpretada anteriormente por Glenn Close, de Era uma Vez um Sonho, que aqui leva o crédito de produtora executiva).

Mas Cruella, dirigido por Craig Gillespie (Eu, Tonya), não é apenas um veículo para Emma Stone brilhar. É também uma reinvenção criativa de uma clássica vilã Disney, com um elenco maravilhoso composto pela também ganhadora do Oscar Emma Thompson (por Razão e Sensibilidade), como a antagonista da antagonista, e o excelente Mark Strong (Shazam!).

Situado na Londres dos anos 1970, o filme imagina Cruella como uma estilista de roupas punk no estilo Vivienne Westwood, desesperada para deixar sua marca. Desfilando uma linha cada vez mais impressionante de figurinos, Stone parece realmente encantada em viver a personagem, canalizando todo seu talento como a disruptora da alta costura ao lado de uma imperiosa Baronesa interpretada com maestria por Thompson, a estilista elegante, porém egocêntrica, no topo da cena da moda de Londres.

Essas refilmagens da Disney, por vezes, se perdem no saudosismo em que precisam se embrenhar para trazer o público para a nova obra (Rei Leão é um exemplo puro da falta de inventividade que uma refilmagem “live-action” pode entregar). Por outro lado, Cruella funciona muito bem sozinho, tanto que se o título do longa fosse outro, o resultado ainda seria uma história habilidosamente contada – especialmente para aqueles que veem Cruella no posto de assistente da Baronesa e imediatamente traçam paralelos com O Diabo Veste Prada.

O crédito vai para os co-roteiristas Dana Fox (Megarromântico) e Tony McNamara (A Favorita, também com Stone), que tornam a personagem uma anti-heroína a ser considerada. Como resultado dos esforços coletivos, Cruella é reinventada como Estella, a sobrevivente de uma infância digna de um romance de Charles Dickens.

Durante os 134 minutos de duração, Cruella traz muita história, incluindo a vida paralela de Estella como uma pequena criminosa. Ela e os outros órfãos Jasper (Joel Fry, de Yesterday) e Horace (Paul Walter Hauser, de O Caso Richard Jewell) tramam, junto dela, pequenos assaltos e, embora Estella sonhe com o sucesso como designer de roupas, suas habilidades em distrações e disfarces os ajudam quando chega a hora de invadir uma das festas temáticas mais ostentosas da Baronesa.

É aí que a identidade Cruella nasce – como um alter ego de Estella, que faz uma entrada bastante espetacular no Baile Preto e Branco da Baronesa, literalmente colocando fogo no vestido em que ela veste quando chega e emergindo em um vermelho proibido. Thompson rouba a cena até aquele momento, mas dali em diante é Stone que vai ganhando todo o foco. O resto do filme é uma guerra que se intensifica rapidamente entre as duas divas, e às vezes a batalha se torna tão brutal que nem parece que o filme tem o selo da Disney.

O fato de Gillespie e sua equipe não ficarem apenas em terreno seguro, mas tocarem a história no maior estilo agridoce de Desventuras em Série, torna a versão algo diferente da fórmula Disney de ser. O diretor, que já havia feito um belo trabalho com seu Eu, Tonya, resgata Cruella da previsibilidade das versões anteriores de 101 Dálmatas e cria uma nova franquia elegante em que uma antiga vilã renasce como a mais improvável das anti-heroínas.

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AUTOR

Felipe Fornari

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