Diretore/as

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02.02.2016

Vamos pensar em duas cenas clássicas de filmes: na primeira, um casal está em casa, tentando cozinhar lagostas, mas as lagostas estão dando um baile nos dois; e na segunda, um cara está desarmando uma bomba, com diversos soldados ao redor aguardando, em um ambiente devastado pela guerra. Você conseguiria dizer qual cena foi dirigida por um homem e qual por uma mulher? Não, né? Eu só sei porque tenho os filmes em mente (o primeiro é Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen, e o segundo é Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow), mas não dá. E as diretoras entrevistadas para o documentário Diretore/as também não. E neste documentário você poderá saber um pouco mais sobre a participação das mulheres no cenário cinematográfico francês, suas dificuldades, acertos e projetos futuros.
01
O interessante desse curto documentário (ele tem 1h15 de duração) é a maneira como ele é estruturado. Julie Gayet (O Palácio Francês) entrevista 21 diretoras francesas, tentando averiguar de que maneira as questões de gênero participam do cinema na França. A princípio, o grupo de mulheres é firme em dizer que não sofrem preconceito por serem mulheres diretoras. Uma delas, Rebecca Zlotowski (Grand Central), conta que sofre preconceito em outros níveis, como o intelectual ou baseado em seu background, mas não por ser mulher. E todas afirmam veementemente que não concordam com cotas, dizem que elas não são necessárias e que sentem vergonha quando entram por cota em algum festival, por exemplo. E logo após todo o discurso de “somos todos tratados iguais”, Gayet vai questionando, questionando, e de repente a coisa muda de figura.
02
Depois de tanto afirmar que não há preconceito com relação a gênero no cinema francês, as diretoras começam a achar alguns problemas. Elas citam que encontram dificuldades se têm interesse em fazer um filme diferente do que é considerado tradicionalmente um “gênero feminino”, como os dramas familiares. Assim, se decidem fazer um western, um filme policial, de guerra ou sci-fi, encontram resistência por parte da equipe, que tem problemas em aceitar uma mulher fazendo um filme fora do seu habitat. E as diretoras entrevistadas ficam até mesmo curiosas em saber como Kathryn Bigelow se saiu em seus filmes de guerra.
05
Entre dificuldades e sucessos, o documentário aborda diversas questões, como maternidade, família, feminilidade, ter que provar que sabe, ter que mostrar que merece estar ali, além de desejos e aspirações dessas incríveis diretoras, algumas que acabaram que começar suas carreiras e outras que já estão há muitos anos fazendo filmes e lidando com o dia a dia da profissão. E todas são unânimes em falar sobre a importância de trilhar um caminho melhor para as gerações futuras através de seus exemplos.
04
Vale a pena dar uma espiada neste interessante documentário. Apesar de começar um pouco devagar, ele pega ritmo e traz muitos questionamentos importantes, principalmente porque as questões vividas pelas diretoras francesas fazem parte do dia a dia de mulheres ao redor do globo. E ver que mulheres em um país tão desenvolvido quanto a França enfrentam questões parecidas com as nossas nos faz pensar que ainda temos um longo caminho para que as questões de gênero sejam resolvidas.
Nota:

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AUTOR

Melissa Correa

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