Distrito 9

"Distrito 9" fala verdades sobre o nosso mundo através da ficção científica

15.10.2009 │ 15:38

15.10.2009 │ 15:38

"Distrito 9" fala verdades sobre o nosso mundo através da ficção científica

Distrito 9 é uma raridade moderna: um thriller de ficção que é ainda melhor que sua campanha publicitária. Por anos, desde Alive in Joburg, curta no qual o filme se baseia, tem havido uma grande expectativa sobre a premissa criada por Neill Blomkamp para uma adaptação ultra-moderna de ficção científica. Não é à toa que Peter Jackson, de O Senhor dos Anéis, tenha resolvido produzi-la, ao invés da adaptação de Halo que ambos iriam fazer.

O filme é o mais imaginativo, ressonante e dramático, ao se falar de ficção nos últimos tempos, do que qualquer outro. Um híbrido de alegoria política e filme B, ele reinventa motivos de clássicos filmes de catástrofe extraterrestre e urbanos e os transpõe ao contexto do gueto contemporâneo, que nos últimos tempos tem rendido bons filmes como Quem Quer Ser um Milionário? e Cidade de Deus.

Situado em Joanesburgo, Distrito 9 leva o nome de uma colônia de refugiados alienígenas que, nos últimos vinte anos foi povoado pelo povo de uma raça que lembra insetos e crustáceos e sua nave mãe quebrada.

Eles são oprimidos pelos habitantes (humanos) do local. Apelidados de ‘camarões’ e alimentados com comida de gato. Enquanto isso uma organização responsável tem o objetivo de realocar os alienígenas para uma nova área. O encarregado é Wikus van der Merwe, um burocrata afável, nomeado principalmente por seu sogro ser o chefe da organização.

Blomkamp e seu roteirista Terri Tatchell descrevem em detalhes, na forma de um pseudo-documentário, a forma como a colônia evoluiu para uma mistura de capitalismo desorganizado com tecnologia secreta e rituais antigos. Entre o caminho esburacado dos abrigos de papelão, os ‘camarões’ não só se tornaram viciados em comida de gatos, como também chamaram a atenção de bandidos nigerianos.

Enquanto isso, ao pulverizar uma espécie de Spray, acidentalmente, Merwe começa a se transformar em um dos ‘camarões’. É nesse ponto que o filme engrena e remete a clássicos do gênero, mas sempre de uma forma original. E por falar em Merwe, seu intérprete Shalto Copley, aproveita ao máximo a história. Ele é cheio de tiques e nuanças de um personagem bem trabalhado.

A queda de Merwe em desgraça é uma espécie de libertação. Ela lhe permite ver através da fachada da sociedade civil, o mal da sua economia e acima de tudo os pontos de partida de uma revolução política que deve acontecer.

O que torna o filme de Blomkamp tão radical é a clareza e a força com que a ficção científica pode nos dizer verdades sobre o nosso mundo, às vezes até mais do que qualquer documentário social. Ele mostra a riqueza do épico e histórias imensamente universais e populares que podem ser contadas. Afinal, quem precisa de Manhattan, quando há tantas megalópoles sobre as quais filmes brilhantes como Distrito 9 podem ser feitos?

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