Dívida de Honra

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19.03.2015

Não é maravilhoso quando um filme consegue cativar você o suficiente a ponto de querer ir atrás da história por trás dele? Foi bem o que aconteceu com Dívida de honra, dirigido e estrelado por Tommy Lee Jones.
Assisti com um certo receio, pois nunca consegui assistir a um faroeste. Aquela coisa toda de índio em cima do cavalo correndo pra cá, homem branco em cima do cavalo correndo pra lá, bang bang, poeira no meio do nada, isso nunca foi muito minha praia. Mas me surpreendi com a qualidade dessa história emocionante.
Baseado no livro de Glendon Swarthout publicado em 1988, The Homesman, o filme mostra a triste situação dos pioneiros dos Estados Unidos na cidade de Nebraska em 1854. Mary Bee Cuddy (Hilary Swank) é uma moça solteira que vive sozinha e se oferece para levar três moças que enlouqueceram devido à difícil realidade da vida como pioneiros de volta para casa – tarefa essa que normalmente era destinada a um homem, por isso o título que representa a união das palavras home (lar) e man (homem).
Cuddy tem 30 anos e já é considerada velha para casar naquela época, além de ser julgada pelos homens como comum, sem atrativos. Ela sente muita falta de sua vida em Nova York e sua solidão é palpável em momentos como quando ela “toca” seu piano – na verdade, uma tapeçaria com as teclas bordadas.
No início de sua jornada, encontra George Briggs (Tommy Lee Jones), homem um tanto peculiar, rude e todo sujo, em cima de um cavalo, com a corda no pescoço – literalmente. Ela o ajuda, mas não sem antes fechar um acordo para que a ajude a levar as mulheres levadas à loucura para Iowa.
Uma história sensível que consegue dar uma rasteira no espectador com reviravoltas surpreendentes. É impressionante e reconfortante ver um faroeste que se mostra por vezes muito engraçado (a cena de introdução de Tommy é hilária), outras melancólico. O marasmo de uma terra sendo povoada é desolador e dá para entender a dificuldade do povo em permanecer são. As mulheres são o tema central aqui, o que me parece extremamente original em um gênero normalmente dominado pelo protagonismo masculino. E a trilha sonora é realmente belíssima.
Hilary Swank e Tommy Lee Jones estão ótimos no papel. Hillary consegue encarnar um misto de força e fragilidade, enquanto Jones faz um homem rude e sincero até demais. Como boas surpresas, temos James Spader, Meryl Streep e até sua própria filha fazendo uma das moças loucas.
Dê uma chance a esse filme, é maravilhoso.
Dou: um balde de pipoca + um pacote de M&M’s com amendoim (nham nham!)

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Marcela Sachini

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