Enola Holmes 2

(2022) ‧ 2h09

Uma detetive pronta para caminhar sozinha

Felipe Fornari

Depois de apresentar sua protagonista ao público, Enola Holmes 2 tem a vantagem de não precisar gastar tempo explicando quem ela é. O filme aproveita essa liberdade para mergulhar rapidamente em uma nova investigação, ampliando a escala da narrativa e demonstrando uma confiança que torna esta continuação ainda mais divertida e envolvente do que seu antecessor.

Agora tentando se estabelecer como detetive profissional, Enola enfrenta um problema que vai muito além de solucionar crimes: convencer os outros de que merece ser levada a sério. A jovem continua vivendo à sombra da fama de Sherlock Holmes, mas o roteiro faz um excelente trabalho ao reforçar que suas qualidades são diferentes das do irmão. Enquanto Sherlock se destaca pela lógica quase implacável, Enola encontra força em sua empatia, sensibilidade e capacidade de enxergar aquilo que os demais ignoram.

Millie Bobby Brown continua sendo o coração da franquia. Sua interpretação combina carisma, inteligência e senso de humor numa medida difícil de encontrar. As frequentes quebras da quarta parede seguem funcionando muito bem, criando uma cumplicidade imediata com o espectador e reforçando a personalidade vibrante da protagonista sem parecer um recurso repetitivo.

O mistério central também representa um avanço em relação ao primeiro filme. A investigação sobre o desaparecimento de uma jovem operária rapidamente se transforma em algo muito maior, conectando questões sociais, interesses políticos e injustiças históricas. O roteiro costura essas camadas com habilidade, mantendo o suspense constante enquanto conduz a trama por reviravoltas que conseguem surpreender sem parecer artificiais.

Outro acerto está na forma como os personagens secundários são aproveitados. Henry Cavill ganha mais espaço e desenvolve uma dinâmica bastante divertida com Enola, enquanto Louis Partridge retorna com charme suficiente para tornar os encontros entre sua personagem e a protagonista especialmente agradáveis. Helena Bonham Carter, por sua vez, continua roubando a cena sempre que aparece.

A direção mantém um ritmo ágil durante praticamente toda a duração do longa. As sequências de ação são bem construídas, os momentos de humor surgem naturalmente e o trabalho de recriação da Londres vitoriana continua visualmente atraente. Mesmo com uma trama mais complexa, o filme nunca perde sua leveza característica.

Mais maduro, mais ambicioso e emocionalmente mais rico, Enola Holmes 2 confirma o potencial da personagem como protagonista de uma excelente franquia de aventura. Ao mostrar que independência não significa enfrentar tudo sozinha, o filme acrescenta novas camadas à heroína e entrega uma continuação que amplia as qualidades do original sem perder seu espírito divertido e otimista.

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