Felicidade

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12.01.2021

Existe uma vida familiar estável?

Se tem uma coisa que o cinema francês faz com maestria é o retrato do dia a dia de forma crua e sincera. Felicidade é mais um exemplo disso. Ele retrata uma família “feliz”, e através do seu retrato mostra que talvez não exista uma vida familiar estável.

No filme, para Tim e Chloé, a felicidade está no dia a dia vivido sem amarras. Mas o verão está terminando. E Tommy, a filha do casal, está desesperada para voltar às aulas, e prometem-lhe que ela não irá perder essa grande ocasião por nada. Mas isso é antes de Chloé desaparecer, de Tim roubar um carro e de um cosmonauta entrar na história.

Desde a cena inicial, o diretor Bruno Merle nos apresenta o universo caótico no qual a família vive. Tommy e seus pais estão em uma lanchonete apreciando um brunch quando tudo toma um rumo inesperado. E assim o filme prossegue ao longo de sua duração, puxando o tapete do espectador.

O tom do filme muda o tempo todo. Saindo de uma comédia sensível para um humor ácido num piscar de olhos, e depois voltando ao ponto inicial. O diretor nos faz acompanhar as diversas nuances da relação desses três personagens e assim vamos nos envolvendo.

As mudanças de tom podem incomodar quem espera algo mais tradicional. Mas as performances do trio de personagens principais entregam o fio condutor que nos faz ficar presos à história dessa família estranha, compensando qualquer tropeço da trama.

Felicidade te prende aos personagens de maneira que você se preocupa se as coisas irão degringolar de vez ou não. É uma aventura pelos comportamentos humanos mais estranhos que mantém o espectador na dúvida até a cena final.

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AUTOR

Felipe Fornari

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