G20 é o tipo de thriller político que parece beber direto da fonte dos anos 1990, quando presidentes americanos enfrentavam terroristas de forma gloriosa nas telas. Aqui, o charme está em ver Viola Davis assumir o centro dessa fantasia de poder, não como assessora ou conselheira, mas como protagonista absoluta — presidente, mãe e ex-soldado, tudo ao mesmo tempo. E se o roteiro não tem a ambição de reinventar o gênero, pelo menos nos entrega um espetáculo que sabe onde quer chegar.
Viola Davis é, sem dúvida, a alma do filme. Com sua presença imponente, ela transforma a presidente Danielle Sutton em uma figura que combina diplomacia com força bruta. Davis é uma atriz capaz de segurar qualquer cena com o olhar, e aqui, mesmo trocando discursos inflamados por tiroteios e perseguições, ela continua magnética. A escolha de colocá-la nesse papel é mais do que acertada — é o que eleva G20 de um passatempo esquecível para um entretenimento com alguma potência simbólica.

A trama, por outro lado, é o que se espera de um filme desse tipo: funcional, direta e cheia de atalhos. Quando a cúpula mundial é atacada por terroristas na Cidade do Cabo, Sutton precisa se virar sozinha para salvar o mundo. Há clichês de sobra — deepfakes, criptomoedas, vilão caricato — mas o filme abraça esses elementos com a convicção de quem não pretende ser levado tão a sério. O importante aqui é o ritmo, não a complexidade.
Antony Starr, conhecido por papéis mais extremos, aparece como o antagonista padrão: frio, articulado, obcecado por controle financeiro global. Sua atuação é eficiente, mas nada que fuja do esperado. O que funciona melhor são os poucos momentos em que ele e Davis dividem a cena — nesses embates, há fagulhas de algo mais interessante, um subtexto político que o filme até flerta em abordar, mas logo abandona em nome da ação.
A direção de Patricia Riggen mantém o filme coeso, mesmo que o roteiro não ofereça grandes surpresas. As cenas de ação são competentes, ainda que genéricas, e a montagem ajuda a manter o pulso firme, mesmo quando o drama tenta ganhar espaço. Há uma subtrama com a filha de Sutton que promete mais do que entrega, e acaba soando como tentativa de adicionar profundidade emocional sem muito tempo de tela para isso.

Talvez o maior problema de G20 seja justamente seu potencial não totalmente explorado. Com uma atriz do calibre de Davis, havia espaço para algo mais sofisticado, mais afiado politicamente. O filme flerta com temas atuais — manipulação digital, colapso econômico, confiança pública — mas trata tudo de forma superficial, como pano de fundo para a jornada heroica de sua protagonista.
Ainda assim, dentro da proposta, G20 é um entretenimento sólido. Não marca época, mas também não decepciona. É o tipo de filme que parece feito sob medida para uma tarde de domingo: ágil, previsível, mas com uma performance central que vale o ingresso — ou, no caso, o play no streaming. E mesmo que seja só por algumas horas, é reconfortante imaginar um mundo em que uma presidente como Viola Davis coloca ordem no caos com coragem e competência.




