Gladiador

(2000) ‧ 2h35

19.05.2000

"Gladiador" é um épico como Hollywood já quase não produz mais.

“Gladiador” é o tipo de filme sobre o qual Hollywood construiu sua reputação, mas já quase não produz: o épico espetacular. Repleto de personagens grandiosos, cenários impressionantes e narrativa épica, ele foi projetado não apenas para entreter, mas para encantar. Atrai o público e o mergulha em uma realidade que não é a sua.

É para o público vibrar toda vez que o protagonista desafia as probabilidades e vence um conflito, ou muda o rumo da batalha a seu favor. Isto é fazer cinema em grande escala.

O diretor Ridley Scott fez seu nome no cinema com dois clássicos conhecidos da ficção científica: “Alien” e “Blade Runner”. “Gladiador” representa a segunda tentativa do cineasta de criar um épico histórico e é muito mais bem-sucedido do que a tentativa anterior, “1492 – A Conquista do Paraíso”, que narra a chegada de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo.

O filme se passa nos dias finais do reinado de Marcus Aurelius (Richard Harris). Neles, o imperador desperta a ira de seu filho Commodus (Joaquin Phoenix) ao tornar pública sua predileção em deixar o trono para Maximus (Russell Crowe), o comandante do exército romano. Sedento pelo poder, Commodus mata seu pai, assume a coroa e ordena a morte de Maximus, que consegue fugir antes de ser pego e passa a se esconder sob a identidade de um escravo e gladiador do Império Romano.

“Gladiador” entra no mesmo hall heróico de filmes como “Ben-Hur”, “Spartacus” e “Coração Valente”. Ele nunca deixa de ser envolvente, e há muitos momentos projetados para agitar a adrenalina. Além disso, o roteiro consegue evitar a previsibilidade. Os vilões são tão inteligentes quanto os heróis e bastante implacáveis.

Talvez a maior conquista de Scott não seja manter o ritmo de um filme de mais de duas horas, nem coreografar uma cena de batalha espetacular, mas criar uma Roma do século II que seja totalmente crível e impressionante em seus detalhes. A Roma Antiga é uma das civilizações mais romantizadas da história da humanidade e raramente ganhou vida com a grandeza deste filme. O Coliseu, por exemplo, ressuscitou em toda a sua glória.

Um dos poucos defeitos do filme é uma tendência ocasional para momentos pretensiosos. Não há nada de errado em inserir comentários sociais sobre a natureza bestial dos seres humanos no filme – porém, falta sutileza nessas inserções. Mas isso não estraga o filme.

Como muitos dos grandes épicos hollywoodianos, “Gladiador” é a história do triunfo de uma figura heróica sobre desafios quase intransponíveis. Aqui, ele é um escravo que enfrenta o homem mais poderoso do mundo – o Imperador de Roma. E no que diz respeito aos espetáculos, “Gladiador” tem de sobra.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Felipe Fornari

OUTROS INDICADOS

Gravidade

Gravidade

Alfonso Cuarón criou uma experiência cinematográfica que ultrapassa as fronteiras de um simples filme. Em Gravidade, ele utiliza a tecnologia 3D de forma magistral, transformando-a em um elemento que adiciona profundidade e intensidade à narrativa. Para quem deseja se...

Cidadão Kane

Cidadão Kane

Quando se fala em Cidadão Kane, apenas uma questão ecoa acima de tudo: seria ele o melhor filme já feito na história do cinema? Durante anos, evitei escrever qualquer coisa sobre o filme, talvez intimidado pela sua reputação. Cidadão Kane é tido como o maior filme...

Becket, o Favorito do Rei

Becket, o Favorito do Rei

Baseado na peça de Jean Anouilh, Becket, o Favorito do Rei transforma uma das maiores disputas da história da Inglaterra em um drama intenso sobre amizade, poder e lealdade. Dirigido por Peter Glenville, o filme acompanha a relação entre o Rei Henrique II (Peter...