Infinite Icon: Uma Memória Visual promete ser um memorial visual em torno do lançamento do 2º álbum de estúdio e da turnê de Paris Hilton. Chamada de “OG” (Original Gangster) quando falamos das it girls festeiras e detentora do bordão “That’s Hot”, Hilton aproveita a ascensão da cena hyperpop, com Charli XCX e Brat, para voltar aos holofotes como “não tão superficial”.
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Não há nada de errado em não ser profundo. Chegamos a um lugar, enquanto sociedade, em que é aceitável assumir que nem tudo precisa ser uma grande narrativa heroica. Paris apresenta a música pop e a vida noturna como refúgio, lugar de cura e pertencimento. E, se no fim das contas todos precisam pertencer, Hilton é o patrono das minúsculas causas.
O excesso de edição e de cortes do memorial visual tenta mascarar a falta de presença de palco e de excelência de Paris como performer. Letras assinadas por Meghan Trainor, que parecem escritas por IA, e a produção de Sia fazem um recorte de público-alvo que se impressiona com pouco. Mas, novamente, não há nada de errado em abraçar isso com autenticidade.
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A tentativa de tornar tudo algo profundo é cômica e um tanto irritante em certos momentos, mas diverte quem está por dentro da cultura. O documentário se estende por mais de 2 horas, explorando diversas facetas de Hilton, como alguém que sabe jogar o jogo da mídia nos anos 2000, seu diagnóstico de TDAH e sua relação com amigos e família.
Essas ditas camadas são contadas por uma mulher que vê o mundo pelas lentes de quem cresceu em Los Angeles, cercada de privilégios e excessos. Tal nível de alienação é o que torna tudo fascinante. Paris Hilton é obstinada em provar sua excelência em um caminho que apenas evidencia sua mediocridade financiada por riqueza geracional.




