Ninotchka

13.06.2016 │ 14:03

13.06.2016 │ 14:03

Um festival de cinema é sempre ótimo para checar as novidades, pois muitas estreias acontecem nesse cenário. Mas a melhor parte, confesso, é poder revisitar os clássicos na telona. E entre os filmes escolhidos pelo Olhar de Cinema está o incrível Ninotchka, de 1939, dirigido por Ernst Lubitsch e com roteiro de Billy Wilder, e estrelado pela maravilhosa Greta Garbo. Além desses nomes dourados, que só podiam resultar em um filme sensacional (que está em zilhões de listas de melhores filmes, filmes pra você ver antes de morrer, etc. e tal), ver o filme em uma sala de cinema fez toda a diferença do mundo.
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O filme se passa em Paris, logo após a Revolução Russa. Três russos, Iranov (Sig Ruman), Buljanov (Felix Bressart) e Kopalsky (Alexander Granach) estão ali para comercializar as joias da aristocracia russa, apreendidas pelo Estado, e logo esquecem os ideais comunistas da mãe Rússia e se deixam encantar pelo odiado capitalismo (quem nunca?). O responsável pela mudança é o Conde Léon d’Algout (Melvyn Douglas), namorado da Duquesa Swana (Ina Claire), antiga dona das joias, que quer impedir a venda e reaver as belezuras. Mas quando parece que o plano da ex-realeza russa vai funcionar, a União Soviética envia Nina Ivanovna “Ninotchka” Yakushova, uma especialista sem senso de humor e totalmente dedicada aos ideais de seu país que está ali para botar a casa em ordem. Mas Léon acaba apaixonado por Ninotchka, e vai tentar conquistá-la e atraí-la para o lado negro da força do sedutor capitalismo.
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Nas mãos do incrível Billy Wilder, o roteiro não podia dar mais certo. O filme não pode ser considerado pura e simplesmente como uma comédia romântica. Ele é uma sátira ferrenha à nova União Soviética e seus incríveis ideais. Além de diálogos geniais (você tem que assistir ao filme um par de vezes pra pegar tudo, mas o ideal mesmo era assisti-lo com um professor de história ao lado, explicando tudo), o filme consegue passar o recado nas ambientações e experiências dos personagens. E algumas cenas não precisam de muita coisa para fazer você rir horrores (como quando os três russos estão no quarto do hotel, na suíte imperial, e a câmera está fora, só acompanhando a movimentação no quarto; cada vez que alguém entra – levando bebida, comida ou mulheres bonitas –, escutamos as reações dos homens, que ficam mais animais dependendo de quem entra). E foi impagável acompanhar um filme assim em uma sala de cinema, pois, quando dei por mim, estava às gargalhadas acompanhando o restante da plateia. Acredito que, em casa, vendo o filme na minha televisão e sentada sozinha no sofá, não ia tê-lo achado tão engraçado assim.
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Mas o ponto alto do filme fica por conta de Garbo, claro. Na primeira metade do filme, ela está impassível, não esboça um sorriso, é super séria e está centrada em sua missão. Mas ela acaba encantada por Léon e tudo que ele representa (o que faz parte da sátira do filme, quem vai preferir a cinzenta e fria Rússia quando você experimentou a capitalista Paris?), apesar de não ser tão simples para ela optar por um caminho ou por outro.
Nota:

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Varilux

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