Insubstituível

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10.03.2017

Em "Insubstituível", o humor tem nuances mais sutis, inserido em momentos-chave ou inesperadamente

François Cluzet, protagonista de Insubstituível, é um ator muito versátil e já conhecido do público. Ele e Omar Sy protagonizaram o sucesso de bilheteria Intocáveis. E é bem nesse estilo de filme, uma mistura entre comédia e drama, em que ele brilha mais. No filme, ele nos apresenta um personagem menos pessimista e melancólico e mais realista: um médico das antigas, Jean-Pierre Werner, aquele médico que atende as pessoas na zona rural, que conhece cada caso por nome e histórico. Mas também é humano e, como tal, está suscetível a doenças.

Jean-Pierre descobre um tumor no cérebro e seu médico o aconselha a parar de trabalhar, procurar um substituto para poder se tratar, com quimioterapia ou radioterapia. Percebemos que ele tem verdadeiro amor pela profissão, dando conselhos encorajadores a pacientes com depressão, tomando decisões pelo bem de seus pacientes.

Seu médico lhe acha uma enfermeira experiente que acabou de se formar em medicina, Nathalie Delezia (Marianne Denicourt), como sua provável sucessora. Irritado pela atitude do médico, a princípio possui uma certa resistência à profissional enviada, mas começa a treiná-la do mesmo jeito. Aqui não há espaço para personagens e atitudes caricatas, eles possuem dilemas reais, sofrem, se decepcionam, mas sempre oferecem oportunidades para resolver os problemas entre si, como adultos.

O humor tem nuances mais sutis, inserido em momentos-chave ou inesperadamente. Não é escrachado, é comedido e equilibrado, assim como a própria personalidade de Jean-Pierre, aproximando o espectador dos personagens e suas motivações.

François está ótimo no papel, seu semblante carrega por todo o filme o peso da preocupação, o medo e a incerteza do futuro, mas se torna menos duro nos momentos em que consegue tirar certo humor da situação. A escolha de sua parceira de cena, Marianne Denicourt, foi acertada, o público consegue sentir a intimidade e a empatia entre os personagens, que vão construindo uma relação de confiança durante o filme. O final embalado pela música da Nina Simone é a cereja no topo. Não deixe de conferir essa história francesa singela e delicada.

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AUTOR

Marcela Sachini

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