Make a Girl

Onde assistir
"Make a Girl": O amor em código-fonte

Desde o começo, Make a Girl chama atenção pela sua mistura curiosa de ficção científica, romance e existencialismo. Dirigido por Gensho Yasuda, o filme acompanha Akira Mizutamari, um jovem inventor solitário que decide criar uma namorada perfeita, uma androide chamada Zero, depois de ver o amigo mudar completamente por causa de um relacionamento. O que começa como um experimento de laboratório rapidamente se transforma em uma reflexão sobre amor, consciência e o que realmente significa “sentir”.

A narrativa tem um ritmo contemplativo, mais voltado para introspecção do que para ação. Akira é o típico gênio emocionalmente travado, um personagem que tenta programar aquilo que não consegue viver: a conexão humana. À medida que Zero ganha consciência, o filme começa a questionar os limites entre emoção real e emoção simulada. Dá pra programar o amor? Dá pra “fingir” humanidade? E, no fim das contas, o que isso diz sobre nós, que tentamos racionalizar algo tão instintivo e imprevisível quanto o sentimento? Essas perguntas permeiam o longa e dão a ele um tom filosófico, quase melancólico, que o diferencia das ficções científicas tradicionais.

Visualmente, Make a Girl é um espetáculo sutil. A direção de arte trabalha com tons frios e ambientes minimalistas, equilibrando a frieza do mundo tecnológico de Akira com pequenos detalhes de calor e intimidade. O CGI é bem utilizado, criando uma estética limpa e realista, que ajuda a reforçar a dualidade entre o humano e o artificial. A trilha sonora acompanha esse clima de forma melancólica, envolvente e nunca invasiva. Tudo isso contribui para que o espectador mergulhe na atmosfera emocional do filme, sem precisar de grandes explosões ou efeitos chamativos.

Mas nem tudo funciona perfeitamente. A transição de Make a Girl do curta-metragem original, lançado em 2023, para o formato de longa deixou algumas pontas soltas. Em certos momentos, o roteiro parece apressado, principalmente nas relações secundárias, que perdem espaço para a dupla central e o ritmo, em alguns trechos, se desequilibra entre o drama e a reflexão. Ainda assim, há uma sinceridade evidente na proposta de Yasuda, uma vontade de tocar em temas profundos sem se apoiar em clichês. O resultado é um filme que talvez não acerte em tudo, mas que acerta onde importa.

Make a Girl é um filme que fica com você. Ele fala sobre amor e solidão através de chips, cabos, linhas de código e, ironicamente, é nessa artificialidade que encontra algo profundamente humano. No fim das contas, MaMake a Girl é sobre tentar entender o amor, seja ele programado, simulado ou simplesmente sentido. Para quem gosta de ficção científica, é uma experiência que vale a pena.

Você também pode gostar...