Mário de Andrade, o Turista Aprendiz

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21.03.2025

"Mário de Andrade, o Turista Aprendiz": Um olhar sobre o Brasil

Durante o ano de 1927, o escritor Mário de Andrade produziu um diário de anotações de uma viagem pelo rio Amazonas e através destas anotações, que anos depois se tornou livro e aqui se faz filme do mesmo nome, Mário Andrade, o Turista Aprendiz.

O que se esperar de anotações do famoso autor de Macunaíma e de um dos grandes nomes idealizadores da Semana de arte Moderna de 1922, talvez seja melhor não esperar, e assim se surpreender, por imagens, narrativas e até um quê de musical, poderia ser considerado diário talvez, mas o que é possível perceber é que Mário tem um olhar de artista para o cotidiano, e sua mente foi retratada de maneira certeira e muito bem maquinada na produção e direção do filme.

Um barco para Mário se torna uma janela para o mundo e seu mundo nesse momento é navegar, e não só com o seu olhar, mas a poesia também esta marcada na companhia daqueles que o acompanham nesta viagem, desde as suas apresentações, até as imersões de um dos Rios mais importantes do planeta.

Mas o filme traz uma reflexão perfeita ao que rodeia o que assim foi escolhido para seu nome. Realmente Mário e os outros tripulantes realmente se comportam como verdadeiros turistas dentro da sua própria terra, e sim nada surpreendente para 1927, onde pouco se sabia de Amazônia, infelizmente, ou quem sabe felizmente, já que aparentemente isso não foi tão bom assim.

Fato é que essa população está totalmente com um olhar quase estrangeiro, olhando para as próprias realidades e belezas locais, mas com um conhecimento quase yanke, pode ser um pouco decepcionante. Olhar o Brasil como estrangeiro pode nos fazer realmente vira-latas. Talvez por isso, após essa vivência tão rica de conhecimento e de Brasil, Mário produziu sua mais famosa obra, Macunaíma.

Um filme diferente que provoca um certo desconforto, mas também uma boa reflexão.

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AUTOR

Tina Santos

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