Michael

(2026) ‧ 2h08

21.04.2026

O espetáculo que emociona, mesmo sem se aprofundar

Há sempre um desafio evidente em transformar uma figura tão gigantesca quanto Michael Jackson em cinema. Michael entende isso desde o início e aposta em um caminho claro: menos interessado em dissecar profundamente o homem, o filme prefere celebrar o mito, e faz isso com uma boa energia.

A narrativa percorre os principais momentos da carreira do artista, desde os primeiros passos com o Jackson Five até sua consolidação como ícone global. Ainda que siga uma estrutura bastante convencional de cinebiografias musicais, o longa encontra força na maneira como encadeia esses eventos, mantendo um ritmo envolvente que dificilmente deixa o interesse cair.

O grande destaque, sem dúvida, é Jaafar Jackson. Em sua estreia, ele carrega o filme com uma presença magnética, capturando gestos, olhares e, principalmente, a essência performática de Michael. Em vários momentos, a sensação não é de estar vendo uma interpretação, mas sim uma recriação quase hipnótica, tamanha a precisão física e emocional que ele imprime.

As sequências musicais são outro ponto alto. Quando o filme mergulha em apresentações como “Thriller” ou “Beat It”, tudo ganha vida de forma vibrante. Não são apenas recriações nostálgicas, mas momentos cuidadosamente construídos para provocar reação, e conseguem. Há um impacto sensorial que transforma essas cenas em verdadeiros espetáculos dentro do filme.

Por outro lado, quando se afasta dos palcos, Michael revela suas limitações. O roteiro toca em temas importantes, como a solidão, a pressão da fama e as relações familiares, mas raramente se aprofunda de fato. Existe uma superficialidade que impede o longa de explorar com mais coragem as contradições de seu protagonista.

Ainda assim, o filme encontra equilíbrio ao sugerir essas camadas sem necessariamente destrinchá-las. A presença de figuras como o pai, retratado de forma intensa e desconfortável, adiciona peso emocional suficiente para dar alguma complexidade à trajetória apresentada, mesmo que de maneira contida.

Michael pode não ser o retrato definitivo de seu personagem, mas acerta ao entregar uma experiência envolvente e emocionalmente eficaz. Entre o brilho das performances e a força de sua figura central, o filme conquista pelo espetáculo, mesmo que deixe a sensação de que havia muito mais a ser explorado por trás do palco.

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AUTOR

Felipe Fornari

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