Negócio das Arábias

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04.08.2016

"Negócio das Arábias": a busca por significado e oportunidade nas Arábias

A adaptação cinematográfica de “Um Holograma Para o Rei,” estrelada por Tom Hanks e dirigida por Tom Tykwer, retrata a história de Alan, um empresário à beira da falência que vê a oportunidade de salvar sua carreira e a faculdade de sua filha através de um negócio nas Arábias. Seu objetivo é vender uma tecnologia de ponta em hologramas para o rei do país, mas sua maior dificuldade é conseguir uma oportunidade para apresentar sua proposta ao soberano.

O filme segue as tentativas frustradas de Alan para agendar uma reunião com o rei, que constantemente adia o encontro devido à sua agenda errática. No entanto, essa busca por uma oportunidade de negócio é apenas o pano de fundo para o desenvolvimento de uma jornada mais introspectiva. Alan está frustrado com a crise econômica global e sente que sua vida não tem significado. Ele busca algo que dê propósito à sua existência.

Tom Tykwer, responsável pela adaptação do roteiro e pela direção do filme, incorpora seu estilo característico à obra. Ele estabelece um ritmo acelerado na introdução do enredo, que é interrompido pelo desenvolvimento da narrativa. Além disso, utiliza efeitos especiais para criar um contexto surreal na história e adota uma estrutura de repetição para destacar a passagem do tempo e a estagnação do personagem principal.

No entanto, dois aspectos do filme não convenceram o espectador: a ingenuidade e a incapacidade do protagonista em lidar com o choque cultural resultante de sua estadia na Arábia Saudita, e o problema de saúde que ele desenvolve. Esse problema de saúde leva a uma epifania na jornada pessoal de Alan, mas o filme parece não explorar plenamente a representatividade dessa doença.

Ao longo da trama, cria-se a expectativa de que elementos aparentemente desconexos serão amarrados de maneira envolvente, mas essa ligação se mostra frágil e não cativa o espectador de forma significativa. No final, a sensação é de que a adaptação cinematográfica de “Um Holograma Para o Rei” não é envolvente, deixando uma impressão de que estamos vendo um holograma opaco e falho, o que é uma mudança em relação aos filmes que tornaram Tom Tykwer conhecido.

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AUTOR

Atilio Comper Neto

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