O Doador de Memórias

04.09.2014 │ 06:50

04.09.2014 │ 06:50

“O Doador de Memórias” é mais simples e cru do que o resto das distopias adolescentes de hoje em dia, que tentam explicar o plano de fundo que levou aquele momento da “história” nos mínimos detalhes e ainda nos fazem engolir triângulos amorosos desnecessários (Lois Lowry publicou seu romance em 1993, o que torna os personagens de “O Doador de Memórias” parentes mais velhos de “Jogos Vorazes” e “Divergente”).
A história começa quando, depois de várias gerações, a humanidade descobriu uma forma de viver em paz e assim resolveu apagar suas memórias. No processo, deixou-se de mentir, sentir e ver cores e o humor de todos é controlado com medicação todas as manhãs. Graças a todas as abdicações, não há medo, não há ódio, inveja, violência e nenhum risco. Em suma, é o sonho de todos os pais.
Adolescentes de hoje, é claro, odiariam perder toda a futilidade que adoram mostrar nas redes sociais, por exemplo. Mas nessa “realidade” apenas Jonas, é que começa a aprender o que essa sociedade está perdendo. Ele foi nomeado o receptor de memórias – o sábio que usa os erros do passado para aconselhar os líderes do presente – e seu treinador, o tal doador do título (que é interpretado por Jeff Bridges) é o responsável por mostrar tudo ao menino.
O diretor Phillip Noyce utiliza-se de algumas montagens muito bem colocadas para mostrar o medo de Jonas ao se confrontar com nossos erros de hoje. O filme vai, aos poucos, perdendo a saturação de um belo preto-e-branco e chega às cores de maneira muito bela. Mas há várias diferenças entre essa adaptação e o livro. O que já era de se esperar. Afinal, o livro é cheio de nuances e sutilezas que não são tão vendáveis como os produtores hollywoodianos desejam. Principal mostra é fazer da personagem de Meryl Streep (que mal aparecia no livro) muito mais importante.
As escolhas do diretor, embora focadas em vender mais ingressos, não se mostram errôneas. E embora Meryl Streep cite no filme que “quando as pessoas têm a liberdade de escolher, elas escolhem errado”, nesse caso isso não se aplica. Nem mesmo para os adolescentes que optarem por ver esse filme ao invés de alguma outra bomba que esteja no cinema ao lado.

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