O Maior Espetáculo da Terra

(1952) ‧ 2h32

01.05.1952

Quando o circo era ouro e DeMille era reverenciado, "O Maior Espetáculo da Terra" pode até ter sido incrível

“O Maior Espetáculo da Terra”, penúltimo filme do diretor Cecil B. DeMille, contém todos os elementos adorados por ele: personagens grandiosos, visuais suntuosos, longa duração e efeitos especiais de última geração. Embora o filme não seja tão popular quanto seu último, “Os Dez Mandamentos”, é um espetáculo e deu ao cineasta o único Oscar de Melhor Filme de sua longa carreira, que remonta aos primórdios do cinema mudo.

Frequentemente citado como um dos piores filmes a ganhar o Oscar e, embora esse sentimento não seja discutível, há circunstâncias atenuantes, obviamente. É como se este fosse um “prêmio pelo conjunto da obra” para DeMille – um Oscar honorário com cara de legítimo. A política da época também pode ter influenciado. DeMille era um republicano obstinado e o principal concorrente de seu filme, “Matar ou Morrer”, foi escrito pelo roteirista Carl Foreman, que estava na lista negra de Hollywood (veja “Trumbo: Lista Negra”).

O longa se passa sob a tenda do Circo Ringling Brothers e do Barnum & Bailey’s. Funciona como um quase documentário, um melodrama e uma cápsula do tempo para quem já frequentou um circo das antigas. O primeiro e o terceiro aspectos são os mais atraentes hoje em dia. Infelizmente, o drama cafona, combinado com diálogos com cara de antigos, tornam o filme difícil de assistir para os padrões modernos.

Muitos dos motivos pelos quais o filme envelheceu mal estão relacionados às mudanças desde que foi produzido. Em 1952, circos ainda eram uma forma popular de entretenimento. Agora, é como um artefato cultural que gera pouco interesse. É natural que ele tenha encantado o público dos anos 1950. Hoje, já não funciona.

Suas cenas de espetáculo, assim como as cenas dos bastidores, são interessantes do ponto de vista de um documentarista, mas, mesmo vistas dessa forma, são muito longas e expositivas.

Os efeitos visuais parecem primitivos e pouco convincentes para hoje. Na era pós-“Avatar” é difícil olhar para as conquistas de algo como “O Maior Espetáculo da Terra” da mesma maneira.

Não se trata de um filme ruim, mas o tempo não foi bom para ele. Como muitos filmes lançados nesta época, está desatualizado. As coisas que o tornaram popular não se aplicam ou não funcionam mais. Até a história, com um apelo levemente popular, é prejudicada por uma duração muito longa que testa a paciência do espectador moderno. As intermináveis sequências de circo, embora interessantes para os documentaristas de plantão, rapidamente se tornam tediosas. Quando o circo era ouro e DeMille era reverenciado, o filme pode ter sido incrível, mas agora soa como uma coisa datada e até mesmo, sem muita graça.

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AUTOR

Felipe Fornari

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