O Protetor 2

(2018) ‧ 2h01

16.08.2018

“O Protetor 2”: violência crua e vingança implacável

O Protetor 2 se encaixa perfeitamente com a versão de Robert McCall (Denzel Washington) que foi apresentada há quatro anos, quando Antoine Fuqua atualizou a série de TV dos anos 1980 para a tela grande. Este novo filme é ainda mais brutal do que seu antecessor.

Quando McCall dispara uma arma, é com a intenção de matar. Quando ele luta, o objetivo raramente é apenas debilitar o seu oponente. Se esse nível de violência parece chocante, pode ser porque a classificação livre dos filmes de heróis nos acostumou a um comportamento menos gráfico de nossos protagonistas. A classificação mais alta dá a Fuqua a liberdade que ele talvez não tivesse com algo mais adequado para adolescentes.

O Protetor foi um “sucesso quieto”, pois arrecadou mais de US$100 milhões, apesar de uma abertura modesta. O filme foi lucrativo e a Sony começou a considerá-lo em termos de franquia. Para Denzel Washington, esta representa a primeira vez que ele aparece em uma sequência, então obviamente há interesse por parte do ator de 63 anos. Fuqua, consciente da idade de sua estrela, não exige que McCall faça muitas coisas extremas, embora esteja envolvido em várias lutas corpo a corpo. Washington não parece ter a sua idade, no entanto.

A construção lenta do filme corresponde à do original. Fuqua não tem pressa e entende que construir uma história gradativamente rende dividendos mais tarde. A abordagem discreta de Washington ao papel ajuda neste aspecto, nos permitindo sentir-se confortáveis com o seu personagem antes que o inferno comece. Até certo ponto, O Protetor 2 parece mais uma continuação de Desejo de Matar do que uma continuação direta do primeiro filme.

Desta vez o seu objetivo central é a vingança. A missão do protagonista é simples: matar as pessoas envolvidas no crime contra sua amiga. Não há segundas chances. Sem hesitação. Não importa quem eles são. Em sua mente, eles estão mortos. Quando um deles comenta que McCall cometeu um erro ao entrar em guerra com eles, sua resposta é que eles cometeram o erro ao entrar em guerra com ele.

Como O Protetor é episódico por natureza, a maioria dos personagens do primeiro filme não retorna para a continuação. As exceções são Susan Plummer, de Melissa Leo, e Bill Pullman como seu marido, Brian. À medida que as coisas se desenvolvem, eles têm um papel importante a desempenhar. O Protetor 2 apresenta dois recém-chegados: o antigo parceiro de McCall na CIA, Dave York (Pedro Pascal), e um garoto desprivilegiado que mora no bairro de McCall, Miles (Ashton Sanders). A ação acontece em três cidades – Bruxelas, Washington D.C. e Boston – e envolve um grupo de mercenários que pretendem “eliminar pontas soltas” a todo custo. McCall e vários de seus amigos tornam-se parte dessas “pontas soltas”.

Fuqua nos presenteia com várias cenas de ação de ficar grudado na poltrona. O terceiro ato, que ocorre no auge de um furacão, proporciona um clímax apropriadamente tenso para o longa. Alguns dos elementos dramáticos do filme, no entanto, não são muito bem trabalhados. Por exemplo, o relacionamento de pai substituto entre McCall e Miles não convence. E a inclusão de uma subtrama apresentando um sobrevivente do Holocausto (Orson Bean) parece totalmente desconectada de todo o resto.

Assim como no primeiro filme, o compositor Harry Gregson-Williams consegue sugerir a icônica música de Stuart Copeland, da série original, sem incorporá-la totalmente. O trabalho de câmera de Oliver Wood é evocativo sem ser vistoso. A fúria do furacão é efetivamente representada no final, sem transformar O Protetor 2 em um filme-catástrofe.

O filme representa uma continuação sólida para o primeiro filme. Sua narrativa independente é um lembrete de que nem todo filme precisa terminar com um gancho que promete algo ainda maior na próxima vez (oi Marvel!). Fuqua e Washington cumprem o que prometem e deixarão que qualquer continuação futura, se houver, cuide de si mesma.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Felipe Fornari

Conheça os filmes/séries da franquia

   Clique abaixo para ler nossas críticas:

OUTRAS CRÍTICAS

Hora do Massacre

Hora do Massacre

"Um grupo de jovens ativistas invadem sorrateiramente uma loja de departamentos na intenção de viralizarem um protesto a favor dos animais e meio ambiente. No entanto tudo dá errado quando se deparam com os seguranças noturnos, e uma caçada incessante se inicia." Com...

Viver é Fácil com os Olhos Fechados

De tempos em tempos surgem filmes que possuem personagens tão vívidos e tocantes que te abrem os olhos para sentimentos simples da vida. É o caso de Viver é Fácil com os Olhos Fechados, filme espanhol que se passa em 1966. Ao término dele você só quer seguir...

John Wick: De Volta ao Jogo

John Wick: De Volta ao Jogo

Na era dos blockbusters genéricos e das franquias recicladas, é raro encontrar um filme de ação que saiba equilibrar violência estilizada com emoção genuína. Mas aqui está ele — uma história de dor, perda e redenção armada, centrada em um protagonista tão letal quanto...