O Quarto de Jack

O que é mais assustador: passar a vida inteira trancado em um quarto ou conhecer o mundo real, com tudo que ele tem a oferecer?

18.02.2016 │ 12:48

18.02.2016 │ 12:48

O que é mais assustador: passar a vida inteira trancado em um quarto ou conhecer o mundo real, com tudo que ele tem a oferecer?

De todas as aventuras que a vida nos reserva, as mais emocionantes são as primeiras vezes. Nada se iguala a descobrir algo, principalmente quando se tem cinco anos e o mundo é uma imensa possibilidade.

Jack e sua mãe moram em Quarto, o minúsculo aposento em que ela está trancada a sete anos. Para Ma, como Jack a chama sem saber que seu nome é Joy, a vida se resume a sobreviver e transformar esse horrí­vel cotidiano na experiência menos traumatizante possível para seu filho. Por isso, Jack acredita que seu mundo se resume somente ao Quarto e que tudo fora dele não é real, como na televisão. O verdadeiro está concentrado nele, Ma, nas coisas que os dois tem dentro do Quarto e em Old Nick, seu captor. Um dia, enquanto Joy e Old Nick estão conversando, ele conta que perdeu o emprego e que ela deve se comportar até que ele encontre um novo. Joy se desespera pensando que o homem pode cortar os escassos recursos dos quais ela e o filho dispõem, e bola um plano para escapar. Quando os dois conseguem finalmente fugir de lá, Jack descobre que o mundo é muito maior do que ele podia imaginar e que agora ele terá que se adaptar e encontrar o seu lugar nele, assim como sua mãe.

Filme canadense-irlandês adaptado da obra de Emma Donoghue, O Quarto de Jack é mais do que um filme sobre um caso policial. Ele fala sobre as descobertas, adaptações e superações da vida dos dois personagens principais. E eles estão realmente conectados. Jacob Tremblay, que interpreta Jack, teve um tempo precioso no set de filmagem para improvisar tanto verbal como fisicamente, o que melhorou em muito sua relação com Brie Larson, que vive Joy.

O segredo que garante o sucesso do livro e do filme é a passagem de leitor para espectador e vice-versa. No livro, a partir da descrição e dos sentimentos de Jack, que narra grande parte da história, fica a nosso critério imaginar como tudo acontece. O filme por sua vez nos possibilita ver como tudo é, desde o Quarto em si até o dia a dia da dupla, e intensifica as emoções. E dessa transformação não se deve pensar qual versão seria a melhor, mas, como disse a autora, se a magia sobreviveu a tradução de uma arte para outra.

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