O Troll da Montanha abraça o cinema-catástrofe com gosto, entregando exatamente aquilo que promete: um espetáculo de destruição movido por uma criatura colossal saída do folclore norueguês. A premissa é simples e eficiente — um troll desperta após séculos aprisionado e segue em direção a Oslo, enquanto uma paleontologista tenta decifrar como deter o monstro. Não há segredos aqui, apenas a velha fórmula do perigo iminente e da corrida contra o tempo.
A narrativa acompanha Nora, uma cientista cética que se vê obrigada a revisitar as crenças de seu pai, outrora desacreditado por insistir na existência de trolls. Esse conflito entre fé e ciência, apesar de não ser aprofundado, dá ao filme pequenos impulsos dramáticos que ajudam a sustentar o interesse do público enquanto a criatura ganha protagonismo.

O longa se insere com naturalidade na tradição recente dos filmes-catástrofe noruegueses ao trabalhar a relação entre humanidade e natureza. Ainda que aqui o desastre não seja “natural” no sentido literal, o troll funciona como metáfora de uma força que não controlamos: uma entidade feita de pedra, musgo e mitologia, despertada por interferência humana. A dimensão ambiental está lá, mas nunca rouba a cena.
O que realmente impressiona é a qualidade dos efeitos. O troll tem presença, peso e textura; cada movimento parece pensado para conferir credibilidade ao impossível. Do mesmo modo, a direção de Roar Uthaug demonstra controle — às vezes até demais. Se por um lado o cineasta evita o excesso gratuito, por outro deixa a sensação de que o filme poderia ter sido mais ousado, mais destrutivo, mais grandioso.
Há, no entanto, um problema difícil de ignorar: a quantidade de referências explícitas a produções como Jurassic Park, Independence Day e King Kong. Elas não chegam a comprometer, mas tornam o filme menos singular, como se estivesse sempre ecoando ideias já vistas em vez de encontrar seu próprio caminho. Isso acaba diluindo sua identidade, especialmente para quem acompanha o gênero.

Ainda assim, as atuações ajudam a manter o filme firme, especialmente Ine Marie Wilmann como Nora e Gard B. Eidsvold como Tobias, seu pai. Eles infundem humanidade à trama, mesmo quando o roteiro se entrega mais ao absurdo do que à lógica. Nesse equilíbrio peculiar entre emoção e caos, o filme encontra seu valor.
O Troll da Montanha é uma aventura eficiente: divertida, visualmente competente e consciente do tipo de entretenimento que oferece. Pode não reinventar o gênero, mas entrega um bom espetáculo e segura bem seu espetáculo — um filme que cumpre sua missão com ritmo e charme, ainda que sem surpresas.





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