A DreamWorks Animation, em parceria com a Netflix, entrega mais um presente visual com Orion e o Escuro. A história, baseada no livro de Emma Yarlett, explora os medos infantis com um tom cativante e repleto de humor. Sob a direção de Sean Charmatz e com roteiro adaptado por ninguém menos que Charlie Kaufman (Quero Ser John Malkovich e Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças), a animação traz um olhar criativo e reflexivo sobre como enfrentamos nossos maiores medos, mesmo que eles pareçam intransponíveis.
Orion, dublado por Jacob Tremblay no original, é o típico garoto que vive atormentado pelo que poderia dar errado. Sua lista de medos inclui de valentões na escola a inofensivos insetos, mas nada o aterroriza mais que o escuro. Quando um apagão o deixa em completo desespero, o próprio Escuro, uma figura imponente e engraçada dublada por Paul Walter Hauser, resolve intervir. É então que começa uma jornada mágica e transformadora pela noite, repleta de personagens memoráveis que ilustram aspectos da escuridão e do sono.

A influência de Kaufman está presente na profundidade emocional e na criatividade narrativa. A introdução de personagens como Insônia (Nat Faxon) e Ruídos Inexplicáveis (Golda Rosheuvel) adiciona camadas de humor e identificação, enquanto figuras mais tranquilizadoras, como Sonhos Doces (Angela Bassett), equilibram a atmosfera. Essa dinâmica lembra o universo de Monstros S.A. e outros clássicos da Pixar, mas com uma originalidade que distingue Orion e o Escuro.
O design é encantador, com paisagens noturnas que capturam tanto a beleza quanto o mistério do escuro. A animação aproveita ao máximo os contrastes de luz e sombra, reforçando a mensagem de que nem tudo o que parece assustador é, de fato, perigoso. Além disso, a trilha sonora e os efeitos sonoros ajudam a transformar a noite em um ambiente vivo e, por vezes, aconchegante.

Apesar de ser claramente voltado para crianças, Orion e o Escuro também carrega nuances que agradam aos adultos, especialmente aqueles familiarizados com o trabalho de Kaufman. É uma história sobre aprender a conviver com o desconhecido, algo que ressoa em todas as idades. A interação entre Orion e o Escuro traz um humor inesperado e, ao mesmo tempo, uma sensibilidade que lembra que até nossos maiores medos podem ter algo a ensinar.
Com uma narrativa bem estruturada e visuais impressionantes, Orion e o Escuro se destaca como uma das animações mais criativas do ano. É um lembrete poderoso e acessível de que enfrentar nossos medos é o primeiro passo para descobrir as maravilhas que eles escondem. A DreamWorks e Kaufman mostram que, mesmo nos momentos mais sombrios, há espaço para luz, aprendizado e conexão.




