Os Caça-Fantasmas 2 começa com um lembrete engraçadinho: “Cinco anos depois”. De fato, muita coisa mudou nesse intervalo desde que o quarteto salvou Nova York da ameaça sobrenatural de Gozer. Os heróis foram silenciados por uma ordem judicial e deixaram a fama para trás, cada um tentando se virar como pode. A primeira metade do filme é marcada por uma nostalgia melancólica, mas bem-humorada, e por uma ambientação surpreendentemente relaxada para um blockbuster de verão. O espírito do original continua presente, mas o tom agora é menos frenético e mais afetuoso.
A história dessa vez gira em torno de uma nova ameaça ectoplásmica: Vigo, o tirano dos Cárpatos, cuja alma está presa a um retrato no museu onde Dana Barrett trabalha. É através da proximidade com o bebê Oscar — seu filho — que o vilão pretende renascer. A trama é tão absurda quanto a do filme anterior, mas é justamente essa falta de pretensão que torna tudo tão divertido. Nada é levado a sério demais, e isso funciona como uma declaração de intenções: Os Caça-Fantasmas 2 sabe o que o público quer e entrega com um sorriso no rosto.

O roteiro brinca com o legado do primeiro filme, oferecendo mais momentos para os personagens respirarem e se relacionarem. Bill Murray continua sendo o coração cínico da história, distribuindo piadas com a precisão de quem está sempre à margem da ação, mas nunca distante demais. Só que dessa vez, o brilho é dividido de forma mais generosa. Harold Ramis, como Egon, ganha falas memoráveis e uma presença mais marcante. Dan Aykroyd também tem seus momentos, especialmente quando está ao lado de Ramis em cenas de investigação pseudocientífica.
Entre os novos personagens, destaque absoluto para Janosz Poha, vivido por Peter MacNicol. Seu sotaque esquisito e suas intenções ambíguas transformam o personagem em uma figura cômica involuntária, quase um vilão de desenho animado, o que cai como uma luva para o tom do filme. O carisma de Sigourney Weaver continua imbatível, e sua química com Murray mantém o eixo emocional do enredo funcionando — mesmo que o foco nunca seja esse.
Apesar de depender bastante dos efeitos visuais — inclusive em um clímax com a Estátua da Liberdade caminhando pelas ruas de Manhattan —, Os Caça-Fantasmas 2 não parece refém da tecnologia. Os efeitos são cartunescos, quase toscos se comparados aos padrões atuais, mas servem ao humor e à atmosfera de farsa que o filme cultiva. É como se o filme soubesse que seus monstros são de borracha e sua gosma é puro plástico cor-de-rosa — e se divertisse com isso.

O ritmo é leve, quase descompromissado, e não há tensão real na narrativa, o que poderia ser um problema, mas aqui vira parte do charme. A graça não está no “o que vai acontecer”, mas no “como eles vão reagir”. Como nos melhores momentos de comediantes clássicos, de W.C. Fields a Road to Morocco, o enredo serve apenas de pretexto para uma sequência de piadas, improvisos e situações absurdas.
Os Caça-Fantasmas 2 é um filme maior, mais colorido e até mais bobo que o primeiro — e tudo isso joga a seu favor. Ele parece menos preocupado em repetir a fórmula e mais interessado em brincar com ela. O resultado é um filme que talvez não tenha o impacto do original, mas que exala carisma em cada cena. E, mesmo com toda a gosma rosa e vilões ridículos, ainda consegue ser, de um jeito meio torto, o blockbuster mais caloroso de seu tempo.








