Sem dúvidas, é intimidador falar sobre um dos grandes queridinhos da comunidade, mas Paris, Texas justifica o hype que o envolve. Podemos considerá-lo um precursor dos dramas indie, como Aftersun e A Pior Pessoa do Mundo.

A história acompanha Travis (Harry Dean Stanton), um homem que estava desaparecido há quatro anos, assombrado por um passado romântico turbulento com Jane (Natassja Kinski). O ciúmes, o desejo, a insegurança — todos sentimentos humanos que convergem e criam uma tempestade de desentendidos e atitudes dignas de arrependimento.
A trilha sonora, e a ausência dela em algumas cenas, carrega o tom melancólico e aflito que permeia a mente de Travis. A fotografia ousada, que utiliza reflexos para criar paralelos visuais de forma manual, traduz bem o que encontramos na construção do filme: paixão pela arte de fazer cinema. Wim Wenders criou algo que é existencial e onírico.

Uma das cenas mais lindas é construída ao redor da reconexão entre Travis e seu filho Hunter (Hunter Carson). Um paralelo entre os caminhos divididos da vida, que uma hora ou outra voltam a se encontrar.
É um drama familiar que se torna algo maior à medida que a história se desenrola. Emociona, envolve, satisfaz. Com diálogos bem escritos e bem gravados, a obra te coloca dentro da mente dos personagens. Uma história de amadurecimento, reconstrução de laços e uma pitada de amargura para equilibrar. Sem dúvidas, se tornou um dos meus queridinhos também.




