Pânico 4

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"Pânico 4": Regras velhas, sustos antigos

Pânico 4 tenta reviver o frescor do original de 1996, mas o que encontra é um espelho gasto. Onze anos depois dos eventos de Pânico 3, voltamos a Woodsboro com a promessa de uma nova década e novas regras — mas o que vemos, na verdade, é mais do mesmo. A proposta de atualizar a franquia para os tempos dos reboots e da obsessão juvenil por fama até rende momentos pontuais de tensão ou crítica, mas o saldo final é frustrante: uma continuação que tenta parecer esperta demais enquanto tropeça nas próprias piadas.

O filme começa com uma sequência que escancara sua obsessão pelo meta-humor, com camadas de realidade e ficção se sobrepondo até que se tornem indistintas. A ideia, que parecia afiada e inovadora lá atrás, agora soa cansada, como uma sátira de si mesma. Em vez de explorar novos caminhos, Pânico 4 prefere se perder em referências e frases de efeito sobre filmes de terror, reboots e redes sociais, sem conseguir transformar isso em algo verdadeiramente assustador ou divertido.

Sidney Prescott (Neve Campbell) retorna à cidade para lançar seu livro de superação, mas logo se vê novamente cercada por sangue, máscaras e telefonemas sinistros. Os velhos amigos estão de volta — Gale (Courteney Cox), agora escritora frustrada, e Dewey (David Arquette), promovido a xerife — e os novos personagens giram em torno da prima de Sidney, Jill (Emma Roberts), e seus colegas adolescentes. Todos, claro, fãs da franquia fictícia Stab, que transforma os assassinatos reais da cidade em entretenimento barato. O problema é que o filme parece igualmente fascinado pela carnificina, sem muito a dizer sobre isso.

O maior pecado de Pânico 4 é a sua falta de coragem. Em alguns momentos, especialmente no terceiro ato, há indícios de que o roteiro poderia tomar um rumo realmente ousado — quase como se Wes Craven e Kevin Williamson estivessem prontos para virar a mesa. Mas no instante em que a promessa surge, ela é descartada em favor de um desfecho seguro, convencional e anticlimático. É como se o filme tivesse medo de inovar de verdade, preso às fórmulas que ele mesmo ajudou a popularizar.

As atuações são competentes: o trio original retorna com naturalidade aos papéis, como se nunca tivessem saído deles. Já os novatos, como Hayden Panettiere e Rory Culkin, até têm presença, mas não recebem material suficiente para deixar marca. Emma Roberts ganha mais destaque e tenta imprimir camadas à sua personagem, com algum sucesso. Ainda assim, tudo soa funcional demais — como se os personagens fossem apenas peças de um jogo já conhecido, esperando sua vez de cair.

Visualmente, o filme entrega o que se espera: sangue, sustos fáceis e algumas boas sequências de perseguição. Mas falta inspiração. Wes Craven, mestre do gênero, parece dirigir no piloto automático, oferecendo mais uma salada de vísceras temperada com sustos genéricos. A trilha sonora tenta embalar a narrativa com energia, mas nem ela consegue mascarar a sensação de déjà vu que permeia cada cena.

Pânico 4 é a prova de que nem toda nostalgia merece um revival. Ao tentar revisitar suas origens, a franquia acaba apenas reforçando o quão datado seu conceito se tornou. O que um dia foi uma sátira inteligente agora é apenas uma repetição cansada — e, ironicamente, vítima da mesma lógica industrial que tanto criticava. Talvez o verdadeiro grito que reste seja o de “basta”.

Conheça os demais filmes da franquia

Clique nos pôsteres para ler nossa crítica sobre o filme.

PÂNICO
(1996)

PÂNICO 2
(1997)

PÂNICO 3
(2000)

PÂNICO 4
(2011)

PÂNICO
(2022)

PÂNICO 6
(2023)