Paulina

16.06.2016 │ 09:49

16.06.2016 │ 09:49

Paulina tem sua estreia no Brasil em uma hora extremamente necessária. Com um caso de estupro coletivo tendo acontecido recentemente em nosso país, o longa traz discussões importantíssimas sobre a violência contra a mulher, o machismo e a reação da vítima após o crime.
A trama, que é um remake do La Patota dos anos 60, conta a história de Paulina, protagonizada pela talentosa Dolores Fonzi, uma advogada quase doutora que desiste de terminar seus estudos temporariamente para dar aula em uma região carente da Argentina. Alguns dias após sua chegada, ela é abusada por uma gangue local e, a partir daí, começa a tomar decisões absurdas para o gosto de seu pai, um juiz veterano renomado.
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Dirigido por Santiago Mitre (O Estudante) e coproduzido pelo brasileiro Walter Salles (Central do Brasil), o longa deixa uma nuvem de dúvidas no final dele. Mas não que isso seja ruim. Paulina é um daqueles filmes que a gente sai do cinema e já quer comentar sobre. E temos tantas coisas para discutir…
Primeiro de tudo: a produção levou esse trabalho muito a sério. E isso é pela qualidade de execução cinematográfica mesmo. TUDO no filme dá certo. Temos bons atores, um roteiro bem escrito, uma fotografia excelente e locações interessantes. E, além disso, temos duas coisas importantes a serem destacadas: a trilha sonora, que é usada muito bem em horas mais alegres (se é que o filme tem isso) e não usada em horas mais tensas (o que deixa o espectador mais tenso ainda), e a estrutura narrativa, que vai amarrando todas as pontas em um estilo quebra-cabeças maravilhoso de se ver.
Já nas partes políticas, podemos destacar como trunfo o debate com o machismo, que chega a ser incômodo de ser visto. Em determinada hora do longa, quando a personagem principal vai fazer a denúncia do estupro, coisas como a roupa que ela estava usando e se ela havia bebido são perguntadas, como se isso fizesse alguma diferença para os abusadores. Temos também o pai dela querendo interferir em tudo, como se ela fosse incapaz de tomar as próprias decisões após o ocorrido.
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Outra coisa interessante é a discussão que o filme abre enquanto está passando na tela. Nós, como integrantes de uma sociedade, sempre imaginamos o que vai ocorrer com os personagens e, quando o inimaginável ocorre, é bom ver os nossos rostos de choque. O longa nos desconstrói ao vivo, e isso é incrível.
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Tendo sido merecidamente premiado e aplaudido em Cannes no ano passado, Paulina é, além de tudo, um filme sobre escolhas e oportunidades. Mais um gol pro cinema argentino!
Nota:

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