“Tarde da noite, uma dupla de policiais recebe um chamado de agressão doméstica em uma região decadente da cidade, no entanto, as coisas saem do controle quando os moradores são mortos”.
Escrito pelos irmãos Brandon e Ryan Christensen, dirigido por Brandon Christensen, e estrelando Jaime M. Callica, Sean Rogerson, e Catherine Lough Haggquist, POV: Presença Oculta é um terror sobrenatural no formato “filmagem encontrada” (Found Footage), e que discorre sobre a ambiguidade moral em momentos de crise, tensão e deterioração psicológica dos personagens.
Habitantes dos cantos escuros da internet, sejam todos muito bem-vindos a mais uma crítica repleta de Presença Oculta.
Em POV: Presença Oculta uma dupla de policiais, trabalhando tarde da noite, recebe um chamado sobre violência doméstica em uma deteriorada parte da cidade. Ao chegar na casa, escutam gritos animalescos, tentam contactar a delegacia, que não os responde, e sob pressão, resolvem adentrar a residência.

Após vasculharem o térreo, a dupla se divide, enquanto um vai ao andar superior, onde encontra um animal definhando em um berço repleto de sangue, com símbolos ocultistas espalhados, assim como uma mulher que parece estar sob forte efeito de drogas, o outro vai ao porão, onde encontra um buraco sinistro no chão, e é surpreendido por um homem carregando algo escondido em uma toalha, e é nesse momento, em que tudo vira de cabeça para baixo, pois o homem avança contra o policial, que se defende e o mata. A partir disso os policiais começam a ter atitudes questionáveis, se enfiando cada vez mais em uma escuridão desconhecida, em que um personagem oculto observa cada passo que eles dão.
A mim, realmente não agrada essa técnica cinematográfica do Found Footage, de visão documental, simulando registro real, e por ser 100% do tempo dessa maneira, me causa desconforto, me tirando muito da imersão, no entanto, eu não posso simplesmente ignorar que dentro dessa estética, é um filme bem constituído e executado. Praticamente o filme todo é sob o ponto de vista (POV: Point of View) das câmeras corporais dos policiais, sendo um ótimo uso de uma tecnologia que é real e muito difundida, e para além disso, geram uma sensação de imersão semelhante a de um videogame, o que faz essa obra ser criativa e efetiva. Um detalhe que vale o comentário, é de quando algo causa interferência nas câmera, corrompendo as imagens digitais, o que é uma solução interessante para visualmente explorar a influência do mal na tecnologia, na parte elétrica, nos campos magnéticos, etc, semelhante ao que acontece nos rádios, e nos filmes antigos quando utilizavam tecnologia analógica.
Dadas as devidas proporções, as atuações surpreendem, e apesar de eu não reconhecer os atores, como “atores conhecidos”, eles me parecem muito bons no ofício, já que dão conta muito bem de seus personagens e das emoções que precisam expressar.
A história, de maneira geral é simples, dois policiais vão investigar um chamado em um local decadente, então algo pesado que revela características adversas dos personagens acontece, e eventualmente eles precisam confrontar tais erros. O que fica um pouco confuso é o tempero da receita, que vai se revelando aos poucos, mas, que ao mesmo tempo é mal executado, como se pequenas doses de um “Deus Ex Machina” (recurso narrativo em que algo é resolvido de maneira artificial ou não natural, e pouco plausível) fossem adicionadas a mistura até dar a liga que o filme demanda para se completar.

A atuação, os espaços e cenários pequenos, o ponto de vista e a sonoridade, geram um filme claustrofóbico, tenso do início ao fim, dramático em certos momentos, geram uma obra que envolve os subgêneros conhecidos como suspense psicológico, terror sobrenatural, e pelas evidências ocultistas (símbolos feitos com sangue, construção de mundo, “lore” e comportamento de alguns personagens), até mesmo um pouco daquilo que é conhecido por “horror cósmico” ou “horror Lovecraftiano” (que por sinal, está na moda nos últimos anos). Além disso, a película tem diversas características pertencentes ao subgênero maior ao qual ela se encontra, que é o do terror found footage, tendo similaridades com [REC], V/H/S, e o clássico Cloverfield.
Levando tudo em consideração, tanto os erros quanto acertos, POV: Presença Oculta é uma boa opção tanto para que gosta desse subgênero, quanto para quem quer conhecer o “found footage”, assim como um entretenimento justo para quem busca uma experiência sensorial mais desafiadora do que em filmes convencionais.






