Pulse

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11.09.2006

”Pulse” é a prova de que o cinema estadunidense tende a romantizar tudo

Você deve estar pensando “Poxa, mas vocês prepararam um especial de Halloween e você escolhe falar logo de um filme que não gostou?”, calma, não é assim também, eu gostei, a refilmagem dos EUA tem seus acertos e erros, muito mais erros, claro, mas a essência do filme original japonês (Kairo, 2001) tá lá e é o que salva a refilmagem.

O filme conta com um elenco jovem e até então praticamente desconhecido, Kristen Bell, Ian Somerhalder e Jonathan Tucker, todos em começo de carreira. E nesse filme todo mundo dá conta do recado, não exigiram muito deles também, era só gritar, sofrer, encontrar o amor em meio ao apocalipse tecnológico paranormal e é isso.

Sim, o filme é sobre um apocalipse paranormal, está um pouco datado, afinal o filme é de 2006 e o celular da moda havia sido lançado há pouco tempo, o famoso V3 que dominou uma geração. Ele é destaque no filme em alguns closes. rs

A ideia original, que foi mantida no remake, é muito boa e o que estragou a produção dos EUA foi justamente essa maldita mania de romantizar tudo. É um filme sobre fantasmas, morte, e um possível fim do mundo, ninguém precisa encontrar o amor no meio disso. Para gente, foca na missão que é tentar sobreviver ou impedir o apocalipse. Mas enfim, é o jeito deles fazerem cinema.

Todos os pontos positivos do remake são: a ideia principal e todos os elementos utilizados nela, as fitas vermelhas, a forma que os fantasmas aparecem, como elas conseguem atacar suas vítimas, isso ficou bom porque praticamente mantiveram igual ao original.

O desenvolvimento do filme é bom também, as coisas não demoram muito para acontecer e para os mais assustados o filme está repleto de sustos fáceis (jump scares) e bastante barulho também para te fazer pular da cadeira, por isso o filme pode acabar agradando bastante quem gosta dessas técnicas e se assusta com elas. Quem prefere um clima mais tenso e cenas mais pesadas não vai gostar, sugiro que veja o original.

Entre erros e acertos, no geral, o filme consegue cumprir o que promete, alguns sustos e um bom passatempo. Mas se você gosta mesmo de tensão e admira o cinema asiático com o jeito único que eles têm de fazer cenas pesadas, tensas e criar aquele clima realmente de medo, meus queridos, vejam o original, por favor (não é spoiler tá, só um incentivo rs, tem umas das mais cenas belas e assustadoras de todos os tempos)!

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AUTOR

André Bordoni

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