Quando eu Me Encontrar

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15.09.2024

"Quando Eu Me Encontrar": A ausência que revela novos caminhos

Assistir ao filme Quando Eu Me Encontrar, é como contemplar cenas de uma história que alguém já havia nos contado sobre, ou que vivemos nós mesmos, com a vantagem do olhar cinematográfico e o embalo de canções de Cartola e Chico Buarque. O destaque do longa no 12º Festival Olhar de Cinema do ano passado não foi à toa, as diretoras Amanda Pontes e Michelline Helena brilharam com a execução deste filme que é tão forte quanto é singelo, e foram vencedoras dos prêmios de Melhor Filme e Melhor Roteiro pelo Júri da Crítica.

Dayane sumiu deixando apenas um bilhete sem muitos detalhes sobre suas intenções ou o que motivou sua saída de casa e da vida que levava. A partir deste acontecimento, sua mãe Marluce (Luciana Souza), a irmã Mariana (Pipa) e o noivo Antônio (David Santos) são o trio igualmente afetado pela decisão de Dayane, mas que vai viver o peso da ausência dela de formas completamente diferentes. O desfecho que essa grande mudança causou na família talvez nunca fique totalmente claro para cada um deles.

Há algo de muito especial nos longas que conseguem transformar um recorte da vida cotidiana em uma história com tanta bagagem como Quando Eu Me Encontrar. Antes que os primeiros 10min tenham se passado, toda a consistência da trama é revelada em uma cena sem a presença de personagens, composta por apenas o som das suas vozes e imagens do mar a noite. Logo em seguida, o laço que essa cena sonora constrói é completamente desintegrado, pois a família de Dayane toma conhecimento da sua ausência e do quão definitiva ela parece ser.

O enredo se desenrola com a falta se tornando parte da rotina. Marluce está dividida entre seguir com a vida e se preocupar com o paradeiro da filha, se devia ou não tomar providências e sua própria identidade de mãe de alguém que não está mais presente. Mariana parece chateada pela pouca cumplicidade da irmã, de quem ela se julgava tão próxima, e seus próprios desafios em uma escola nova. E Antônio é mostrado completamente inconformado e frustrado pela omissão da noiva, não só pelos planos que ela escolhe não compartilhar com ele mas também por negar aos dois e pelos dois planos que eles haviam feitos juntos.

A grande questão é que, ao se ausentar e, como a trilha sonora vai melodiosamente contando ao espectador, sair em busca de si mesma, Dayane possibilita que cada um trilhe este mesmo caminho de descobrimento próprio. É uma jornada pessoal de certa forma imposta, mas ainda assim carregada de amor.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Thais Wansaucheki

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