Resenha │ Expresso do Amanhã

27.08.2015 │ 11:25

Imagine um futuro apocalíptico onde uma experiência para conter o aquecimento global deu muito errado, provocando uma era do gelo e matando quase toda a população mundial. Os únicos que se salvaram sobrevivem em um trem que nunca para de andar – Snowpiercer, traduzido livremente como O Perfura Neve. Esse é o cenário da ficção científica Expresso do Amanhã.
Mas isso não é tudo. Com os únicos sobreviventes do desastre vivendo nesse trem, é instaurada uma nova ordem de governo, em que as classes sociais estão divididas de acordo com os vagões que as pessoas ocupam. O poder aquisitivo aumenta à medida que se chega aos vagões da frente, que seriam da elite, em contraste com a população menos favorecida, à qual resta os vagões posteriores. Também resta a eles o pior tipo de comida, uma espécie de barra nutritiva que me lembra aquele mingau sem sal que comiam em Matrix.
Chris Evans interpreta Curtis, um dos rebeldes prontos a mudar esse sistema de governo arbitrário. Ele arquiteta um plano junto a outros que estão insatisfeitos com a desigualdade social em que vivem. O grande objetivo é chegar até o líder Wilford, quem construiu o trem e estabeleceu o governo atual. A jornada de Curtis até Wilford se assemelha à de O Mágico de Oz, uma figura mítica que inspira medo e veneração cega e só tem seu rosto revelado mais próximo ao fim. Jamie Bell é Edgar, e acompanha Curtis na batalha que vai sendo travada nessa jornada até o grande mestre. Também estrela o filme Tilda Swinton, como uma chefe de baixo escalão e uma seguidora fervorosa de Wilford; e John Hurt como o adversário de Wilford, mas também um grande mentor e inspiração para Curtis.
Expresso do Amanhã é revolucionário não só nesta visão política e social, mas também em sua própria produção e distribuição. Baseado em uma graphic novel francesa e filmado pelo diretor sul-coreano Joon-Ho Bong, fez história como um filme com uma pequena janela entre sua estreia no cinema, onde ficou por duas semanas, e a disponibilização para vídeo sob demanda logo depois, com poucos custos em propaganda. Comercialmente, abriu uma nova perspectiva de mercado para filmes de orçamento de menor porte.
O filme é envolvente e interessante, com sequências de ação equilibradas por movimentos rápidos e efeito slow motion, música e silêncio, tudo para aumentar a tensão; a história é cativante, brincando com os papéis de herói e anti-herói e escolhas para o bem maior. É um épico que vai desafiar você a pensar mais sobre a natureza humana e as duras decisões que precisamos tomar para sobreviver. Prepare a pipoca porque esse é um filme digno do seu tempo.

Expresso do Amanhã

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