Rob1n: Inteligência Assassina

(2025) ‧ 1h32

03.02.2026

Quando o luto programa o horror: Um androide fora de controle

Rob1n: Inteligência Assassina, é um terror de ficção científica do Reino Unido, dirigido por Lawrence Fowler. O elenco conta com Ethan Taylor, Simon Davies, Leona Clarke, Michaela Longden, Victor Mellors.
A trama acompanha Aiden, um especialista em robótica que lida com o luto da perda de seu filho de 11 anos, Robin. Para preencher esse vazio, ele cria um androide com aparência infantil, chamado Rob1n. A ideia é manter uma espécie de companheiro capaz de substituir Robin, mas o que era pra amenizar o sofrimento acaba desencadeando uma série de eventos horríveis, especialmente quando Rob1n desenvolve tendências assassinas semelhantes às do filho falecido.

Apesar do orçamento modesto e de alguns momentos exagerados, o diretor Lawrence Fowler consegue gerar tensão em algumas cenas. Há instantes em que Rob1n cumpre bem o papel de antagonista tecnológico, assustando mais pelo que ele representa do que só pelas suas ações monstruosas, com uma atmosfera de suspense. Para quem gosta de bonecos assassinos (tipo Brinquedo Assassino) ou da premissa de IA que foge ao controle (como M3GAN), o filme entrega esses elementos com clareza. A comparação com M3GAN não é mera coincidência, trazendo o mesmo clima, a ideia de substituição parental e o terror tecnológico.

A motivação do criador (o desejo de preencher o vazio da perda do filho) adiciona um peso emocional que eleva o filme acima de um terror “só para assustar”. Esse conflito humano ajuda a criar certa empatia ou pelo menos interesse, porque estamos não só diante de uma ameaça física, mas de algo que remete a sentimentos reais: culpa, saudade, arrependimento.

No entanto, o filme peca por ser bastante derivativo. Muitas das ideias e da estrutura narrativa lembram obras anteriores do gênero. Isso não é necessariamente algo ruim, até porque muitos filmes de terror/ficção científica jogam com isso, mas em Rob1n isso reforça a sensação de que pouco se inova. Alguns personagens tem atitudes estúpidas e com pouca profundidade e isso diminui um pouco do impacto emocional que o filme pretende gerar. Em especial, a transição do androide — de “criatura programada para acompanhar” a “ameaça concreta” — em alguns momentos parece abrupta demais, ou pouco explorada. Não completamente mal feita, mas poderia ter sido melhor trabalhada.

Há momentos em que o filme depende demais de sustos fáceis, barulhos altos ou de cenas de choque, em vez de construir medo através de atmosfera, antecipação ou tensão psicológica contínua. O ritmo também flutua: há cenas arrastadas ou com pouca ação/interesse, intercaladas com momentos de horror mais explícito. Por exemplo, certas lacunas de lógica, plausibilidade ou coerência narrativa — o motivo de algumas escolhas dos personagens, o funcionamento exato de Rob1n, como ele adquire certas “tendências” assassinas — poderiam ter sido explicados melhor, para aumentar o interesse. A estética e os efeitos especiais também deixam a desejar .

Em comparação com M3GAN, Rob1n é mais modesto em escala e talvez menos carismático em sua antagonista. M3GAN acertou em misturar humor e críticas sociais, coisas que Rob1n tenta, mas não entrega com a mesma eficiência.

Ainda assim, para fãs do subgênero (bonecos/andróides que se voltam contra seus criadores), Rob1n cumpre um papel — não como um divisor de águas, mas como entretenimento decente, com momentos de tensão.

Concluindo, Rob1n: Inteligência Assassina é um filme que vai agradar se você gosta de terror com toques de ficção científica, e do tipo “criatura tecnológica fora de controle”. Ele não reinventa nada, mas sabe brincar com suas influências, e até entrega o que promete para quem buscar algo nesse estilo. Não é memorável, mas vale assistir sobretudo numa sessão de terror casual. Mas é um filme de terror que se perde em seu próprio labirinto de lugares comuns e poucas ideias. Embora a premissa seja interessante, a execução não é a adequada para o gênero. O filme não é uma boa adição ao gênero de terror.

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AUTOR

Ricardo Feldmann Dotto

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