O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

(2012) ‧ 2h49

16.12.2012

"O Hobbit - Uma Jornada Inesperada" é uma viagem bastante inesperada

Na verdade, uma viagem muito esperada. Nove anos depois da estreia de O Senhor dos Anéis e a despeito de Guillermo del Toro, a adaptação de O Hobbit chega aos cinemas, para deleite dos fãs.

O filme começa na mesma época que A Sociedade do Anel, no dia da festa de despedida de Bilbo do Condado (o primeiro indicativo do amálgama – bem-vindo – que Peter Jackson e os outros roteiristas procuraram com a primeira trilogia do diretor) para logo voltar sessenta anos no tempo, para a primeira grande aventura dos Bolseiros, dessa vez rumo a Erebor, ao lado de Gandalf e treze anões.

Jackson toma um cuidado especial com a apresentação dos personagens e da própria Terra Média, ocupando boa parte da narrativa para desenhar a personalidade de cada membro da “nova” comitiva, diferenciando, principalmente, os anões uns dos outros (algo não atingido na obra literária e mérito aqui também para o figurino e a maquiagem), e também para situar o espectador na nada simples história do mundo tolkiniano, incluindo a futura. Sob essa ótica, a opção em transformar O Hobbit numa trilogia é justificada, pelo menos por enquanto. Para tanto, houve, é claro, adaptações. Bilbo tornou-se um personagem mais forte e empático e a ida a Valfenda, por exemplo, que foi deslocada temporalmente, traz à cena Galadriel e Saruman, acentuando a ligação com O Senhor dos Anéis e reforçando a suspeita de Gandalf de que há algo maléfico ganhando força e partidários na Terra Média.

Cada ação e cada cenário são valorizados ao máximo, o que casa perfeitamente com a nova proposta conceitual e visual: em consonância com a escrita de Tolkien, mais infantil e didática nesse que foi seu primeiro livro, o longa ganha ares de fábula (o que se torna algo até mesmo quase destoante no segmento de Radagast, o Marrom), ressaltando a magia das maravilhosas memórias que Bilbo, contador de histórias por excelência, escreve a Frodo, sem, no entanto, sufocar seu lado sombrio (como quando Bilbo encontra Gollum nas entranhas das montanhas) ou seu humor inglês.

A direção de fotografia e de arte, como esperado, são primorosas e comprovam quão acertada foi a escolha da Nova Zelândia como paisagem da obra de Tolkien.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Fran Lipinski

OUTRAS CRÍTICAS

Duas Garotas Românticas

Duas Garotas Românticas

Tal como na sensação do Oscar 2017, La La Land - Cantando Estações, em Duas Garotas Românticas, considerado a obra-prima musical de Jacques Demy, os personagens cantam e dançam na rua - e em qualquer outro lugar. No filme, durante um fim de semana cheio de...

Noel Rosa: Um Espírito Circulante

Noel Rosa: Um Espírito Circulante

Mais do que contar a história de um dos maiores nomes da música brasileira, Noel Rosa: Um Espírito Circulante encontra maneiras de reencarnar o compositor nas vielas, bares e calçadas de Vila Isabel. O documentário de Joana Nin não se prende a uma cronologia nem ao...

Voando Alto

Voando Alto

Filme do diretor Dexter Fletcher, Voando Alto tem algumas surpresas e detalhes escondidos na trama que parece trazer a velha (mas não menos interessante ou valiosa) história de superação nos esportes. Eddie Edwards (Taron Egerton) quer apenas uma coisa na vida desde...