Rocky, um Lutador

(1976) ‧ 2h

07.01.1977

"Rocky, Um Lutador": o conto de um campeão e um filme clássico do cinema

Existem essencialmente três tipos de filmes de boxe: aqueles que oferecem uma perspectiva sombria da vida no ringue, aqueles que focam (muitas vezes de maneira exagerada) nos aspectos comerciais das coisas, e aqueles que que procuram elevar-se através de uma história da pobreza à riqueza.

Rocky, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 1977, pertence à terceira categoria. Embora o filme contenha elementos realistas e se passe em uma arena, é essencialmente um conto de fadas sobre um pugilista deprimido que tem a chance de lutar da sua vida e, ao mesmo tempo, conquistar uma garota. O filme certamente não inventou todos os clichês dos filmes de esportes – eles já existiam muito antes de meados dos anos 1970 – mas utilizou eles de uma forma que cativou o público e não parecia exagerado. Desde 1976, quase todos os filmes que apresentaram um grande triunfo esportivo foram inspirados e/ou comparados a Rocky, independentemente de envolver boxe ou não.

Segundo Sylvester Stallone, roteirista do filme, além de protagonista, o roteiro foi desenvolvido em um período incrível de três dias. Stallone analisou o projeto, escolhendo protagonizar. Inicialmente, a United Artists queria que James Caan fizesse o papel-título, mas, quando Stallone não cedeu, a produção prosseguiu com um orçamento insignificante de cerca de US$1 milhão. Stallone riu por último, no entanto – com ótimas críticas e nove indicações ao Oscar, Rocky recuperou seu custo em mais de cem vezes.

De uma perspectiva crítica, é difícil justificar o triunfo de Rocky como Melhor Filme. Dois de seus concorrentes, Taxi Driver e Rede de Intrigas, eram filmes indiscutivelmente melhores e certamente mais “importantes”. No entanto, Rocky era o azarão – o filme de baixo orçamento que conseguiu chegar entre os melhores. Em muitos aspectos, conquistar o cinturão de Melhor Filme era tão improvável quanto seu personagem principal ganhar de Apollo Creed.

Ao longo da história do cinema, os filmes de boxe sempre foram sobre personagens que recuperam o respeito próprio e o respeito dos outros por meio de suas atividades no ringue. Ao contrário de Sindicato de Ladrões e Touro Indomável, Rocky trata apenas de arrependimentos e oportunidades perdidas, pois dá ao protagonista a chance de superá-los. No entanto, Rocky não é o filme definitivo para “sentir-se bem”. Se fosse, o final seria diferente. No final, Stallone quis enfatizar uma das lições mais simples da vida – que algumas coisas são mais importantes do que vencer. É uma mensagem que se diluiu após o lançamento de Rocky II, quando Stallone cedeu à pressão pública para fazer um novo filme – um desenvolvimento infeliz (mas talvez inevitável).

Rocky é considerado o filme da vida de Stallone – além de escrevê-lo e estrelá-lo, ele também coreografou as sequências de boxe. Mas ele não dirigiu o filme. Esse trabalho foi para John Avildson, um cineasta com uma carreira modesta até ali. Depois de Rocky, Avildson encontrou um nicho dirigindo filmes de esportes. Seus outros projetos incluíram três filmes de Karate Kid, Rocky V e 8 Segundos.

Considerando o que a série se tornou – filmes de ação com pouco coração, menos inteligência e muita testosterona – é uma experiência um tanto revigorante voltar e se reconectar com o original, que oferece muito mais substância do que as sequências. Rocky não é um filme perfeito, mas é um clássico e vale a pena ser conferido. O enredo básico foi refeito em diversos filmes ao longo dos anos; porém, esta ainda é uma das aplicações mais eficazes e bem-sucedidas da fórmula.

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AUTOR

Felipe Fornari

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