Shakespeare Apaixonado

Shakespeare Apaixonado não é o maior dos ganhadores do Oscar, mas vale a sessão

12.03.1999 │ 08:00

12.03.1999 │ 08:00

Shakespeare Apaixonado não é o maior dos ganhadores do Oscar, mas vale a sessão

Em 1998, haviam dois filmes sobre meteoritos em rota de colisão com a Terra, duas animações sobre insetos e dois filmes que acompanhavam momentos do reinado da Rainha Elizabeth. O tom de ambos os filmes com a rainha Elizabeth é totalmente diferente, é verdade, com Elizabeth sendo um drama e tanto enquanto Shakespeare Apaixonado está mais para um romance. Mas os filmes compartilhavam não apenas a era em que se passavam (o final dos anos 1500) e uma personagem (a rainha), mas um par de atores também. Joseph Fiennes (The Handmaid’s Tale) interpreta o papel-título aqui (enquanto em Elizabeth ele interpretou o Lord Robert Dudley), e Geoffrey Rush (O Discurso do Rei) faz o proprietário do teatro The Rose (e Francis Walsingham, em Elizabeth).

Juntam-se a Fiennes e Rush: Gwyneth Paltrow (Emma) e um jovem Ben Affleck (Liga da Justiça). Paltrow, que já havia feito sotaque britânico pouco antes, em De Caso com o Acaso, está excelente. Ela tem o carisma necessário para nos convencer de que sua personagem, Viola, poderia inspirar Shakespeare a escrever Romeu e Julieta. Affleck, por outro lado, embora um jovem galã, parece um pouco desconfortável nos trajes do século XVI. Colin Firth (O Discurso do Rei) é Lord Wessex, um nobre de coração frio que fica entre o amor de Shakespeare e Viola. Tom Wilkinson (O Grande Hotel Budapeste) tem um papel pequeno, e Judi Dench (Assassinato no Expresso do Oriente) faz algumas aparições pontuais como a Rainha Elizabeth (e rouba a cena).

O nomes nos bastidores não são menos impressionante do que na frente das câmeras. Edward Zwick, que depois viria a dirigir o ótimo O Último Samurai, é um dos principais produtores. Tom Stoppard (Anna Karenina), compartilha o crédito de roteirista com Marc Norman (A Ilha da Garganta Cortada). E o experiente diretor britânico John Madden (que quase deu o Oscar para Judi Dench, por Sua Majestade, Mrs. Brown) dirige.

À primeira vista, o filme parece apenas mais uma comédia romântica, porém de época. O personagem principal, Will Shakespeare, é um escritor na Inglaterra de 1593. Atualmente, ele tem problemas com sua última peça, uma comédia chamada A Filha de Romeu e Ethel, o Pirata. Seu problema é que ele precisa de uma musa para inspirá-lo. Ele a encontra em Viola, filha de um homem rico. Viola, uma das poucas frequentadoras de teatro que prefere Shakespeare a Christopher Marlowe (Rupert Everett, de O Casamento do Meu Melhor Amigo), está igualmente apaixonada por Will, mas está noiva do frio e sem amor Lord Wessex, que a quer por seu dinheiro. Para realizar o sonho de estar no palco, Viola se veste de homem e faz audições para o papel de Romeu, ficando com o papel. Com a inspiração de Viola, Will começa a escrever uma grande peça, que ele renomeia como Romeu e Julieta, ao mesmo tempo em que tenta encontrar uma maneira de fazer seu romance impossível funcionar.

Para os admiradores de Shakespeare, há muito para apreciar. Numerosos aspectos do roteiro são apimentados com elementos das peças do bardo: identidades equivocadas, travestis, fantasmas, poesia e partes significativas do diálogo de Romeu e Julieta.

Shakespeare Apaixonado podia ser um pouco mais curto, mas, na maior parte das duas horas de duração, o roteiro combina perfeitamente comédia, romance e um leve drama. Um bônus adicional é que, ao contrário da maioria das comédias românticas, o final não é exatamente aquilo que se espera. Além disso, para quem gosta de Romeu e Julieta, há uma oportunidade de ver como as cenas da peça ficam com Gwyneth Paltrow interpretando tanto Romeu quanto Julieta.

Shakespeare Apaixonado não é o maior dos filmes ganhadores do Oscar, mas é uma desculpa para ter uma sessão divertida com um pouco de cultura.

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